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Unit realiza 1ª Mostra de Libras e aproxima estudantes da prática e da comunidade surda

Com palestras e apresentação de trabalhos, evento reforçou a importância da Libras na formação acadêmica e na promoção da inclusão

às 20h26
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A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é um dos principais instrumentos de inclusão e acesso à comunicação para pessoas surdas em todo o país. Reconhecida oficialmente pela Lei nº 10.436/2002, ela vem ganhando espaço dentro das instituições de ensino, especialmente pela necessidade de preparar profissionais capazes de atuar em contextos diversos e atender à pluralidade de públicos. Com esse propósito, a Universidade Tiradentes (Unit) realizou a 1ª Mostra de Libras, reunindo 374 alunos de 14 cursos. 

A programação foi dividida em dois blocos, palestras e apresentações acadêmicas, e integrou estudantes, profissionais da educação e membros da comunidade surda. Responsável pela disciplina, a professora Kathia Cilene Santos Nascimento explica que a proposta central foi criar experiências reais de comunicação em Libras, aproximando os estudantes da cultura surda.

“O objetivo da Mostra foi proporcionar aos alunos uma vivência prática com o uso da língua, ampliando a articulação entre teoria e prática”, afirma. Segundo ela, a participação de pessoas surdas foi determinante para o formato do encontro. “O foco foi o contato direto com a comunidade e a compreensão da realidade social e acadêmica dessas pessoas”, elenca.

Kathia destaca que o público contou com representantes da Escola Estadual 11 de Agosto, alunos de Letras Libras da Universidade Federal de Sergipe (UFS) , integrantes do Centro de Apoio ao Surdo (CAS), membros da Comunidade Farol e outros convidados. “A diversidade de participantes ampliou o diálogo e reforçou o aprendizado para além da sala de aula”, observa.

A escolha do tema foi uma referência ao Dia Nacional da Pessoa Surda, celebrado em 26 de setembro. Para a docente, a data simboliza conquistas importantes na busca por direitos linguísticos e educacionais. “A Mostra nasce como uma forma de valorizar esse marco e incentivar a formação de profissionais conscientes da responsabilidade ética e legal no atendimento à pessoa surda”, aponta.

Serviços de apoio e vivências acadêmicas

O primeiro bloco do evento reuniu palestras de profissionais e convidados que abordaram diferentes perspectivas relacionadas à Libras. Representantes da Biblioteca da Unit, Gislene Maria Dias Santos e Marcos Breno Andrade Leal, apresentaram obras atualizadas disponíveis no acervo institucional. Segundo Kathia, essa etapa ajudou a orientar pesquisas futuras. “Foi uma oportunidade para os alunos conhecerem materiais recentes da área, fundamentais para aprofundar estudos”, explica.

A programação seguiu com a participação do Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAPPS), representado por Gilmara Rezende Cardoso Xavier, que detalhou as ações destinadas ao atendimento de estudantes surdos. “O NAPPS mostrou como a universidade organiza o suporte para garantir condições adequadas de aprendizagem e permanência”, comenta a professora.

O ciclo de palestras contou ainda com dois convidados surdos: Christian de Andrade de Freitas e Patrícia Rosas Dias de Melo, que compartilharam suas trajetórias acadêmicas. “Eles falaram sobre desafios, adaptações e conquistas, trazendo um olhar direto de quem vive a experiência universitária sendo surdo”, relata Kathia. Para ela, a presença dos palestrantes contribuiu para sensibilizar os estudantes sobre barreiras enfrentadas no cotidiano educacional.

Legislação e práticas da Libras

No segundo bloco, alunos apresentaram banners sobre temas relacionados à Libras, consolidando o que foi trabalhado ao longo da disciplina. Entre os assuntos, estiveram os principais marcos legais, como a Lei nº 10.436/2002 e o Decreto nº 5.626/2005, elementos básicos do alfabeto, números e sinais usuais, além de conteúdos sobre cultura surda, causas da surdez, diagnóstico, tipos de surdez e aparelhos auditivos.

Também foram exibidos materiais sobre sinais utilizados no cotidiano educacional e acadêmico, incluindo apresentações pessoais e profissões. Para Kathia, essa etapa foi decisiva para estimular protagonismo e desenvolver habilidades de comunicação. “As apresentações permitiram que os alunos aplicassem os conhecimentos e se comunicassem diretamente com visitantes surdos, reforçando a importância do domínio da Libras na formação profissional”, afirma.

A professora avalia que a Mostra contribuiu para ampliar a compreensão sobre o papel da Libras no atendimento de diferentes públicos. “A vivência prática aproxima os estudantes da realidade social e fortalece o compromisso com uma atuação mais inclusiva, seja qual for a área em que irão trabalhar”, conclui.

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