Nem sempre as grandes vocações são percebidas de imediato. Para alguns profissionais, a paixão pela carreira surge no decorrer da caminhada, à medida que experiências se acumulam e a compreensão sobre a profissão se aprofunda. Foi assim com Melissa Almeida Santos, fisioterapeuta formada pela Universidade Tiradentes (Unit), que encontrou no contato humano e na reabilitação um caminho transformador. “No início, eu nem sabia exatamente o que era a Fisioterapia, mas, conforme fui vivenciando experiências e conhecendo melhor a profissão, me apaixonei por essa área tão transformadora”, relembra.
Uma das experiências mais significativas foi a mobilidade acadêmica na Universidad Popular Autónoma del Estado de Puebla (UPAEP), no México. Durante esse período, Melissa teve a oportunidade de vivenciar desafios que ampliaram seus horizontes. “Foi minha primeira experiência atendendo sozinha em um idioma diferente, sem total fluência na língua e lidando com patologias que eu ainda não dominava completamente. Passei por algumas complicações, mas, no fim, deu tudo certo!”, conta.
O impacto do intercâmbio foi profundo, tanto no campo profissional quanto no pessoal. “Aprendi que, independentemente do país, raça, religião ou cultura, todos somos seres humanos com dores, traumas e histórias. Com essa profissão maravilhosa e um sorriso empático no rosto, podemos transformar a vida de qualquer pessoa que esteja disposta a ser ajudada”, reflete Melissa, citando a famosa frase de Carl Jung: “Ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”, completa.
Humanização hospitalar e impacto social
Outra experiência marcante na trajetória de Melissa foi sua participação no projeto “Palhaços de Propósito”, que leva humanização ao ambiente hospitalar. “Essa experiência foi marcante. Conheci o projeto ainda na graduação, antes mesmo de ter contato direto com pacientes, e ele transformou minha visão sobre o outro. Fiz um curso para atuar como ‘palhaço de hospital’, e foi nesse momento que percebi o impacto que um sorriso ou um gesto de atenção pode ter na vida de quem está internado. Muitas vezes, os pacientes precisam apenas de um olhar humano. Esse ensinamento levo comigo até hoje, porque a humanização é essencial tanto para quem recebe quanto para quem doa”, relembra Melissa.
Entre as muitas histórias emocionantes que vivenciou, uma em especial marcou sua jornada. “Havia um senhor idoso que estava sozinho no hospital, sem familiares ou acompanhantes. Ele agradeceu com os olhos cheios de lágrimas pelo simples fato de ter recebido atenção. Esse momento reforçou ainda mais minha vocação. Sempre deixamos um pouco de nós nas pessoas com quem convivemos ao longo do caminho”, compartilha.
Interculturalidade e apoio a estudantes estrangeiros
O envolvimento de Melissa com iniciativas internacionais não se restringiu à mobilidade acadêmica. Durante sua graduação, ela também participou do projeto de Extensão Voluntária Buddy, promovido pela Coordenação de Relações Internacionais da Unit. “Fui Buddy duas vezes e adorei! Esse projeto é essencial para ajudar estudantes estrangeiros a se adaptarem ao Brasil, oferecendo suporte com localização, transporte e documentação”, conta. Além disso, a iniciativa proporcionou uma rica troca cultural, ampliando sua visão sobre diferentes realidades e reforçando sua paixão por idiomas e conexões globais.
Pós-graduação e novos caminhos na Fisioterapia
Atualmente, Melissa segue investindo em sua formação acadêmica. Ela é pós-graduanda em Cinesiologia e Biomecânica na Reabilitação e também foi aprovada em um mestrado na Universidade Federal de Sergipe (UFS), na área de Neuropsicomotricidade. “Pretendo seguir um caminho diferente dentro da fisioterapia, mas ainda estou me descobrindo nesse mar de possibilidades”, afirma.
Melissa também destaca a importância da Unit em sua trajetória. “A universidade teve um papel fundamental na minha formação, não apenas pelo ensino técnico, mas por incentivar experiências além da sala de aula. As oportunidades de extensão, mobilidade acadêmica, e projetos humanizados ampliaram minha visão sobre a fisioterapia e seu impacto real na vida das pessoas”, afirma.
A trajetória de Melissa é um reflexo do impacto positivo que a Fisioterapia pode ter na vida das pessoas, aliando conhecimento técnico, experiência internacional e, acima de tudo, humanidade. Para quem está iniciando na área, Melissa deixa um conselho valioso: “Esteja aberto a todas as oportunidades! Participe de projetos, estágios e atividades de extensão. Busque experiências internacionais se puder. E, acima de tudo, nunca subestime a importância da empatia e da humanização no atendimento”, finaliza.
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