Passar em um concurso para ingressar no serviço público é uma conquista almejada e perseguida por muitos que concluem o curso superior. E que é bastante festejada quando se consegue alcançar a aprovação, principalmente a partir dos conhecimentos que aprendeu na faculdade. Esta comemoração foi antecipada para oito estudantes do curso de Medicina do Campus Estância, da Universidade Tiradentes (Unit), que participaram do concurso realizado pela Secretaria Estadual de Saúde de Sergipe (SES). Os alunos, quase todos do último ano do curso, fizeram as provas em junho deste ano e, após serem aprovados para o cargo de médico, tiveram seus nomes publicados pelo Diário Oficial do Estado, em sua edição de 10 de setembro.
Os estudantes da Unit aprovados para o cargo de médico foram Ely Vitoria da Fé Oliveira de Santana (11ª etapa), Kayo Pereira Fernandes (11ª etapa), Leticia Almeida Dantas (10ª etapa), Leticia Santos de Souza (10ª etapa), Luiz Antonio Belarmino Mizael (10ª etapa), Marcos José da Silva Porto (11ª etapa), Maria Eduarda Nascimento Barbosa (8ª etapa) e Mylena Costa Rezende (11ª etapa). Apesar de aprovados, a nomeação efetiva só deve ocorrer após a formatura de cada um deles.
“A nomeação depende dos chamamentos da SES dentro da validade do concurso, de 2 anos e prorrogável por mais 2, e do cumprimento dos requisitos legais no momento da posse, que são o diploma e o registro no Cremese [Conselho Regional de Medicina de Sergipe]. Se forem chamados já formados e registrados, eles decidirão se assumem. A Unit não interfere no trâmite da nomeação, mas segue garantindo a formação e a colação de grau no prazo”, esclarece o coordenador do curso de Medicina em Estância, professor Jerocílio Maciel de Oliveira Júnior.
Os estudantes decidiram voluntariamente participar do concurso e foram encorajados a isso pela própria coordenação do curso de Medicina. De acordo com Jerocílio, o objetivo foi estimular os alunos a testarem seu nível de preparo, ampliarem seus horizontes e se familiarizarem com editais e provas de alta exigência. A preparação cotidiana e as estratégias para as provas também ficaram a cargo dos próprios estudantes, que se apoiaram no currículo regular do curso. E isso, de certa forma, foi um grande diferencial que pesou no desempenho dos alunos.
“A contribuição vem do currículo por competências, da exposição precoce a cenários do SUS, do protagonismo do estudante no processo de aprendizagem, da simulação clínica e da cultura de avaliação contínua com feedback. Tudo parte da rotina do curso, sem preparação específica para o edital. O fator determinante foi a consistência da formação e a maturidade acadêmica desenvolvida pelos estudantes”, considera o coordenador, definindo a aprovação como um marco de qualidade e um motivo de orgulho para a Unit e para o Campus Estância. “Isso mostra que os nossos estudantes, ainda na graduação, já expressam competências valorizadas em concursos públicos, reforçando nosso compromisso com a formação para o SUS em Sergipe”, concluiu.
Esforços que se destacam
Entre os aprovados no concurso da SES, Maria Eduarda Barbosa foi um dos grandes destaques. Ao fazer a prova, ainda estava na 7ª etapa de Medicina, equivalente ao início do quarto ano do curso. Ela conta que decidiu se inscrever para o concurso no último dia do fim do prazo final, e fez isso com a ajuda e a insistência de um colega. E que ficou surpresa com o resultado, pois não tinha a pretensão de ser aprovada.
“Tenho plena convicção que foi um presente de Deus. Minha fé sempre me sustentou e neste momento não foi diferente. Isso unido ao meu esforço de querer aprender mais fez toda diferença”, citou ela, atribuindo a conquista a uma série de fatores determinantes. “A falta de ‘pressão’ e a tranquilidade no dia da prova também foi crucial, em conjunto com a preparação que tive no meu curso como um todo mas especialmente no 7º período, o qual eu havia acabado de cursar. A prova contemplava praticamente tudo que havíamos visto na teoria na universidade. Foi muito especial perceber que sou capaz, graças a Deus, e que o meu estudo tem dado resultado”, lembra.
A estudante é de Lagarto e vai passar pelo internato em 2026, quando espera confirmar se seguirá ou não a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia. Ela deverá concluir o curso no final de 2027, quando espera assumir uma vaga na Região 4 de Saúde, formada pela cidade natal e mais os municípios de Simão Dias, Tobias Barreto e Poço Verde. “Posso acabar indo trabalhar lá mesmo”, prevê, mas com tranquilidade. “Tenho convicção que a hora, o dia, o ano da minha convocação já foi designado por Deus e escolhi esperar. Uma espera grata e com um pouquinho de ansiedade também, mas certa de que ocorrerá no momento oportuno”, afirma.
Quem está mais perto de assumir sua vaga é o aluno Marcos Porto, que está concluindo a 11ª etapa e deve se formar no primeiro semestre do ano que vem. Após isso, irá assumir o cargo designado para o Hospital Regional Jessé Fontes, na região de saúde de Estância. “Isso representa muito. Poder contribuir com a saúde da população da cidade que me abraçou, que me deu a oportunidade de propiciar uma vida melhor para minha família, é uma forma de retribuir, com meu trabalho, com o cuidado aos que mais precisam”, diz ele, que pretende se especializar em Clínica Médica, Cardiologia ou Medicina de Família e Comunidade.
Marcos também conta que foi motivado a fazer o concurso pela oportunidade de garantir a estabilidade profissional logo no início da carreira. “Sei que o mercado está cada dia mais concorrido, principalmente para generalistas, e para quem já concluiu a faculdade, ter um vínculo estatutário é fundamental. Nós nos preparamos e somos preparados desde o início do curso para, além de profissionais de excelência, estar prontos para essas oportunidades. Mas foi um misto de surpresa por ter passado mesmo antes da formatura, afinal concorremos com colegas também qualificados, mas ao mesmo tempo com sentimento de dever cumprido”, considerou.
Para o futuro médico, que é bolsista integral aprovado na seleção de 2020, feita entre os alunos da rede pública de Estância, a preparação oferecida no curso de medicina da unit fez toda a diferença principalmente por se colocar em contato direto com a realidade prática do sistema de saúde. “Estamos desde o primeiro semestre em contato com cenários de práticas, com pacientes reais, temos um corpo docente que nos prepara a vida médica, lembro que as questões de conhecimentos específicos eram o que vivenciamos no dia a dia, e isso é um diferencial. Além disso, foi fundamental o apoio familiar, afinal não é fácil abdicar de momentos com quem amamos para nos dedicar a um projeto, minha esposa e filho foram e são fundamentais nessa jornada”, reconhece Marcos.
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