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GenColor aposta em coloração capilar natural e sem oxidantes para reduzir danos aos fios

Tecnologia desenvolvida a partir de pesquisas utiliza compostos do jenipapo e já avança para entrada no mercado com foco em saúde, sustentabilidade e inovação

às 20h56
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Colorir o cabelo é um processo químico que, na maioria das vezes, envolve a abertura das cutículas dos fios com substâncias como amônia e o uso de agentes oxidantes para fixar a cor. Apesar de eficazes, esses métodos tradicionais podem comprometer a estrutura capilar ao longo do tempo, deixando os fios mais frágeis, ressecados e suscetíveis à quebra, além de levantarem preocupações sobre impactos à saúde e ao meio ambiente.

É nesse cenário que surge o GenColor, uma tecnologia desenvolvida a partir de pesquisas científicas que propõe uma alternativa mais segura e sustentável para a coloração capilar. O projeto nasceu dentro do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), localizado na Universidade Tiradentes (Unit), e tem como base estudos iniciados ainda em 2014, durante o doutorado da pesquisadora Andréa Vasconcelos.

A iniciativa foi construída a partir de uma base acadêmica sólida, com pesquisas conduzidas sob orientação da professora Juliana Cordeiro, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente (PSA). Além de Adilson Allef Santana, egresso da Unit e doutor pelo programa, a equipe conta com a própria Andréa, que atua como CEO, e Carlos Neto, responsável pela gestão e expansão do projeto. A formação multidisciplinar do grupo foi essencial para integrar ciência e visão de mercado. “O projeto foi construído a partir da integração entre pesquisa acadêmica e visão de mercado”, destaca Adilson, que atualmente lidera a área de pesquisa, desenvolvimento e validação do produto.

A ideia que deu origem à tecnologia surgiu a partir de uma observação simples, mas com grande potencial científico. “Em conversa com minha orientadora, a professora Juliana Cardoso, observamos que os índios pintavam a pele com jenipapo. Então surgiu a hipótese: pele e cabelo possuem queratina. Se pinta a pele, será que se pinta o cabelo? E aí fui investigar durante o meu processo de doutoramento”, explica Andréa. Logo a proposta avançou a partir dessa investigação dos compostos naturais do jenipapo. “Trata-se de uma coloração capilar natural, termoativada e com tempo reduzido de protocolo, que colore e trata os fios sem uso de oxidantes agressivos”, complementa.

O potencial inovador do GenColor também foi reconhecido em âmbito nacional. O projeto foi pré-classificado no Programa Centelha 3, iniciativa de fomento à inovação que apoia a transformação de pesquisas científicas em empreendimentos. A proposta, submetida por Andréa Vasconcelos, alcançou a 7ª colocação na fase final. Para a equipe, o resultado reforça a maturidade da tecnologia e evidencia sua capacidade de transição do ambiente acadêmico para o mercado, consolidando o GenColor como uma solução com alto potencial de impacto.

Coloração natural

Diferente das tinturas convencionais, o GenColor atua por meio de interação bioquímica com a fibra capilar, promovendo simultaneamente a mudança de cor e o tratamento dos fios. A tecnologia é livre de metais pesados e dispensa o uso de substâncias químicas agressivas, o que representa um avanço importante para a saúde capilar e também para a sustentabilidade.

“Entre os diferenciais do produto estão a variedade de tonalidades, atualmente são 25 opções, a fórmula enriquecida com ativos de tratamento capilar, que promovem hidratação, reparação e proteção dos fios, além de um protocolo de aplicação rápido, com duração média de 40 minutos. Outro destaque é o fato de ser um produto sustentável e livre de metais tóxicos”, pontua o pesquisador Adilson.

O GenColor também se destaca pelo impacto social e econômico que pode gerar. Ao utilizar o jenipapo como matéria-prima, a tecnologia abre possibilidades para fortalecer cadeias produtivas locais e incentivar a agricultura familiar. “Há potencial de geração de renda e valorização da biodiversidade brasileira”, pontua.

Para Andréa, o diferencial está justamente na possibilidade de unir diferentes dimensões em um único produto. “A proposta é oferecer beleza aliada à saúde e à sustentabilidade. Um produto que atenda ao desejo de colorir o cabelo sem agredir o meio ambiente e que ainda contribua para a bioeconomia, a partir das comunidades que cultivam o jenipapo”, afirma.

Atualmente, o projeto está em fase de validação ampliada e preparação para entrada no mercado. A tecnologia já foi patenteada e segue avançando em etapas importantes, como regulamentação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e estruturação comercial.

Reconhecimento

O reconhecimento recente no programa Centelha 3 reforça o potencial inovador da proposta. A iniciativa foi pré-classificada na fase final, alcançando a 7ª colocação. Para a equipe, o resultado simboliza mais do que uma conquista acadêmica. “É o reconhecimento de uma tecnologia de base científica que ultrapassa os muros da universidade e se projeta para o mercado”, afirma Adilson.

Com foco em profissionais da beleza, salões e consumidores que buscam alternativas mais naturais, o GenColor já nasce com perspectiva de se consolidar como produto comercial e até como startup no setor de cosméticos. Entre os próximos desafios estão o escalonamento da produção, a consolidação em um mercado altamente competitivo e o avanço regulatório. Ainda assim, a expectativa é positiva. “Esperamos promover inovação no setor cosmético, reduzir danos à saúde e ao meio ambiente e valorizar a biodiversidade brasileira”, conclui o pesquisador.

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