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Conduta Consciente ganha certificação nacional e reforça educação ambiental

Programa de educação ambiental da Unit tem agora uma Sala Verde certificada pelo Ministério do Meio Ambiente; espaço integra programa nacional e fortalece iniciativas de conscientização dentro e fora do campus

às 20h57
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As ações de educação ambiental promovidas pelo Programa Conduta Consciente, da Universidade Tiradentes (Unit), acabam de ganhar um reforço importante: a criação da Sala Verde Conduta Consciente Unit. Ela surge a partir do Projeto Salas Verdes, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que envolve espaços e ações de educação ambiental em escolas, instituições de ensino e entidades comunitárias de todo o país. O espaço, que funciona na Sala 17 do Bloco E do Campus Farolândia, recebeu a certificação oficial do MMA no dia 12 de março, reconhecendo-o como participante do projeto, aprovado na Chamada 2025. 

A Sala Verde Conduta Consciente Unit é um dos 111 novos espaços aprovados pela Chamada 2025 do programa do MMA, que já contava anteriormente com outras 283 Salas Verdes em todos os estados brasileiros. Agora, elas somam 394, sendo 12 em Sergipe e cinco em Aracaju. A atuação das instituições é voluntária e deve estar alinhada aos princípios da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). O projeto nacional, criado em 2022, busca incentivar a implantação de espaços educadores para atuarem como potenciais centros de informação e formação ambiental. 

“Nessas chamadas, as instituições enviam para o Ministério um projeto pedagógico, que eles avaliam e aprovam para a criação da Sala Verde. Em seguida, eles dão um apoio logístico, com alguns materiais e peças de divulgação, entre outros insumos. Então, passamos a ter, dentro da nossa instituição, um espaço do Ministério do Meio Ambiente, certificado por especialistas em nível nacional, para promover a educação ambiental e a divulgação científica”, detalha o professor Rubens Riscala Madi, integrante do Conduta Consciente e docente do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS). 

Já o Conduta Consciente existe na Unit desde 2009 e promove a responsabilidade socioambiental na comunidade acadêmica, através da gestão de resíduos, coleta seletiva (óleo, lixo eletrônico, pilhas), consumo responsável e parcerias, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU (Organização das Nações Unidas). Ele é coordenado pela professora Cláudia Moura de Melo, do PBS. Para ela, “a Sala Verde Conduta Consciente se configura em um lócus com coração verde, formando um espaço de integração e diálogo entre Ciência, Natureza e Educação Socioambiental”. 

Para Rubens, tanto o Conduta Consciente quanto o Salas Verdes se agregam e se alinham totalmente em seus objetivos e conceitos de promoção da sustentabilidade e da preservação ambiental. “O objetivo é fazer com que as pessoas que não tenham esse privilégio de estar em contato próximo da natureza no seu dia-a-dia percebam e entendam que todos os animais são importantes, que toda a vegetação é importante que é preciso conservar espaços de ambientes naturais para garantir um retorno de bem-estar à própria humanidade de uma maneira geral”, ressalta. 

Apresentando a fauna

O projeto apresentado pela Unit e aprovado pelo MMA baseia-se no acervo do Laboratório de Coleções Zoológicas Dr. José Roque Raposo Filho, inaugurado em maio de 2019 e instalado desde então na Sala 17. A partir dele, a Sala Verde se propõe a revisitar os biomas de Sergipe (Caatinga e Mata Atlântica), com foco na conservação e sensibilização das novas gerações, desde a Educação Básica até o Nível Superior. “Basicamente, as Salas Verdes são projetos e espaços onde há uma presença de estudos relacionados à vida e ao meio-ambiente. Como a gente tem a maior coleção didática zoológica do Estado, então a gente focou em cima dessa coleção, que tem animais para exposição e estudo”, explica Madi, referindo-se à espécies de animais da fauna brasileira e sergipana. 

Parte dos animais expostos são taxidermizados, isto é, tiveram seus corpos preservados através da substituição de músculos e órgãos por estruturas físicas. Há também montagens de esqueletos, coleções de insetos e ovos das espécies. Há também animais invertebrados e pequenos vertebrados que são mantidos em conservantes, dentro da chamada coleção úmida. “Com esse espaço, a comunidade da Unit e também do nosso entorno terá a oportunidade de vivenciar uma proximidade com esses animais que, apesar de estarem taxidermizados, lhe permitem entender como ele é, como ele vive, qual é a textura dele… e ao mesmo tempo falar da sua importância na natureza”, contextualiza o professor. 

No contexto do Conduta Consciente, a apresentação do acervo zoológico busca conscientizar os estudantes e colaboradores para que preservem e respeitem os animais nativos que são encontrados com frequência, a exemplo dos saruês, saguis, lagartos e pássaros de diversas espécies. 

“Na realidade, nós estamos frequentando a casa deles, criando um campus em cima de onde eles já estavam. E como a gente tem que se relacionar com esse animal? Muitas vezes, a gente vê uma postura de rejeição das pessoas, dizendo que tal bicho ‘é feio’ ou ‘nojento’. Mas cada um deles tem um papel importante no ecossistema total. Às vezes ele age como dispersor, às vezes como regulador de lixo, tem os que se alimentam da matéria orgânica que a gente produz, tem os predadores que regulam o desenvolvimento de pragas… O homem desequilibra o ecossistema e os animais tentam equilibrar. Por isso, estamos tentando conscientizar sobre a importância desses animais aqui no campus”, explica Madi. 

“Além da observação da coleção zoológica úmida e seca, os visitantes podem experienciar a fauna na área livre no Campus da Unit: Sagui de tufo branco, Guaxinim (Mão Pelada), Saruê, assim como variadas aves (Carcará, Quero-quero, Bem-te-vi, Siriri, Siriri boiadeiro, João de Barro, Rolinha, Canário da Terra) e abelhas sem ferrão meliponídeos que atuam como polinizadores de plantas. O Campus da Unit vem se configurando desta forma em um refúgio de fauna livre, inserida em um tecido urbano em intenso e dinâmico crescimento, no qual o papel da Natureza e as transformações da vida ocorrem sobre os suportes tangíveis que permeiam nosso cotidiano”, acrescenta a professora Cláudia Melo.

Cuidando dos resíduos

Assim como acontece nas Salas Verdes, o Conduta Consciente também promove as ações de educação ambiental com a participação de escolas da capital e do interior do estado, envolvendo todas as faixas etárias e níveis de ensino. Eles tanto fazem visitas aos laboratórios do Campus Farolândia quanto recebem a visita de alunos e professores de cursos da Unit que participam do programa ambiental. Neste caso, o foco principal da conscientização é o descarte correto do lixo e incentivo à reciclagem, buscando evitar que os resíduos sejam jogados diretamente nas ruas, matas ou rios. 

“As Salas Verdes fazem esse mesmo trabalho de educação, só que mais voltado para as escolas. Porque quando a gente espera chegar mais na frente para conscientizar, às vezes o dano é irreversível. Então, a gente já começa nas escolas mesmo, até que esse aluno chegue à universidade e ao mercado de trabalho. A gente faz o trabalho de conscientização dentro das escolas e traz os alunos para eles terem contato também com os animais, porque a quantidade que temos é muito grande”, diz a pesquisadora Andrea L’Amour Federico, aluna de doutorado do PBS/Unit. 

Ela chama a atenção principalmente para o descarte incorreto de plásticos em geral, que acaba gerando o problema dos microplásticos que acabam poluindo as águas e sendo ingeridos pelos animais de toda a fauna. “Esse é um risco muito grande que a gente tem hoje. Eu, particularmente, trabalho com microplásticos e as coisas não são nada boas em relação a isso. Mas o Conduta Consciente busca orientar as pessoas sobre o descarte inapropriado de todo material, seja ele eletrônico, químico, plástico, tudo isso. E mesmo quando a gente aqui tem lixos apropriados com as seletividades, as pessoas ainda jogam lixo nos lugares errados”, lamenta Andrea. 

Para além das escolas, as empresas interagem diretamente com o Conduta Consciente, recebendo as ações de educação ambiental direcionadas aos colaboradores. Em meados de abril, os pesquisadores receberam a visita de garis e margaridas das empresas Ramac e Torre, responsáveis pela coleta de lixo em Aracaju. “Como eles trabalham expostos a isso, nós trouxemos eles para cá para que fosse feita uma conscientização sobre o descarte tanto de material químico, quanto do biológico ou do resíduo eletrônico, para que eles tenham consciência dos riscos que eles correm”, pontuou a doutoranda.

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