Falta de ar, pressão arterial baixa e queda da saturação de oxigênio são sinais que não devem ser ignorados. Esses sintomas caracterizam a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), uma condição séria que pode ser desencadeada por infecções respiratórias comuns como a gripe e a Covid-19, mas que evolui para quadros mais críticos. Ao contrário de resfriados e gripes leves, a SRAG envolve um comprometimento significativo da função pulmonar, com risco real à vida do paciente, especialmente quando há atraso no atendimento.
Dados do Boletim InfoGripe da Fiocruz, mostram que até a Semana Epidemiológica 18 (27 de abril a 3 de maio de 2025), foram notificados 50.090 casos de SRAG no país, dos quais 44,4% tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Entre os casos positivos, destacam-se o vírus sincicial respiratório (VSR) com 40,4%, o rinovírus com 27,2%, a influenza A com 13% e o Sars-CoV-2 (Covid-19) com 18,6%.
Segundo o médico infectologista e professor da Universidade Tiradentes (Unit), Matheus Todt, a síndrome se manifesta de forma agressiva. “Ela se caracteriza principalmente pela insuficiência respiratória, dificuldade de respirar e queda na saturação de oxigênio, e por hipotensão”, explica o médico. Em outras palavras, é quando a infecção atinge o pulmão de maneira tão severa que o corpo não consegue mais oxigenar o sangue adequadamente, o que pode levar à falência de órgãos e à necessidade de internação em unidades de terapia intensiva.
Casos de SRAG em alta no Brasil
Nas últimas semanas, o Brasil tem registrado um aumento expressivo no número de casos de SRAG, principalmente em decorrência da circulação de vírus respiratórios em meio ao outono, período do ano marcado por maior incidência dessas doenças. De acordo com Todt, o principal agente identificado nos diagnósticos é o vírus Influenza, responsável pela gripe, mas o avanço também pode estar relacionado à baixa cobertura vacinal da população. “Acredita-se que, além da sazonalidade, a baixa adesão à vacinação esteja contribuindo para esse aumento. A maioria dos casos está relacionada ao vírus da gripe”, ressalta o especialista.
A síndrome respiratória não é uma doença em si, mas uma complicação decorrente de outras infecções, como a Influenza, o coronavírus (Covid-19) e o vírus sincicial respiratório (VSR). Essa condição é monitorada pelo Ministério da Saúde por meio de vigilância epidemiológica, que ajuda a identificar surtos, orientar campanhas e preparar o sistema de saúde.
Embora qualquer pessoa possa desenvolver SRAG, crianças pequenas, idosos, gestantes e pacientes com doenças crônicas ou imunossuprimidas estão mais suscetíveis a complicações. Segundo Todt, esse grupo deve ter atenção redobrada. “Os mais vulneráveis são as crianças menores de cinco anos, idosos, pacientes com doenças crônicas graves, problemas de imunidade e gestantes. Para essas pessoas, uma gripe simples pode evoluir rapidamente para um quadro de SRAG, o que torna o diagnóstico precoce e a atenção aos primeiros sinais ainda mais importantes”, destaca.
Cuidados e prevenção
Apesar do tempo decorrido desde os picos da pandemia, os cuidados que foram amplamente divulgados continuam válidos, e necessários. Máscaras, higienização das mãos, distanciamento em locais fechados e, principalmente, vacinação são atitudes preventivas recomendadas para todos, especialmente neste período de alta circulação viral. “A transmissão dos vírus ocorre por via aérea, através de gotículas. Por isso, o uso de máscara, higiene das mãos e evitar aglomerações ainda são medidas preventivas eficazes. Mas não podemos esquecer da vacinação, pois gripe e Covid-19 são doenças imunopreviníveis”, alerta Todt.
A cobertura vacinal para gripe e Covid-19 está abaixo do ideal em diversas regiões do Brasil, o que preocupa especialistas. Segundo o infectologista, a falta de adesão à vacinação está diretamente ligada ao avanço da síndrome. “Muito provavelmente a baixa adesão às vacinas contra gripe e contra a Covid-19 está contribuindo com o aumento no número de casos de SRAG. Infelizmente, não podemos descartar uma sobrecarga nos hospitais nos próximos meses se os casos continuarem aumentando”, afirma.
Quando procurar atendimento?
Nem todo sintoma gripal requer uma visita ao hospital, mas em determinados casos, procurar atendimento médico com urgência pode salvar vidas. Pacientes que pertencem ao grupo de risco devem ser avaliados ao menor sinal de infecção respiratória. Além disso, qualquer pessoa com falta de ar, sonolência excessiva, pressão baixa ou saturação de oxigênio abaixo de 95% deve procurar imediatamente uma unidade de saúde. “Esses são sinais de alerta importantes. O atendimento precoce pode evitar a progressão do quadro e garantir uma recuperação mais rápida”, destaca o infectologista.
Por fim, a notificação correta e tempestiva dos casos de SRAG permite que as autoridades de saúde acompanhem a evolução da doença e tomem medidas para minimizar os impactos. “Através da vigilância podemos antecipar o aumento no número de casos, o que permite campanhas de orientação e preparação da rede de saúde. Com a chegada do inverno e a maior circulação de vírus respiratórios, o cuidado precisa ser redobrado. Mais do que nunca, informação, prevenção e vacinação são as principais armas contra a Síndrome Respiratória Aguda Grave”, completa o médico.
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