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Ecossistema Tiradentes terá um centro dedicado à produção de biocombustíveis

O Centro Sergipe de Combustíveis Verdes e Carbono Zero (SEVerde) será focado em pesquisas sobre hidrogênio verde, captura de carbono e biocombustíveis avançados, a partir de resíduos da agroindústria e de biomassa sergipana

às 14h02
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A substituição dos combustíveis fósseis por outras alternativas sustentáveis, que reaproveitam insumos e recursos naturais, será a prioridade de um novo espaço que será lançado em breve pelo Ecossistema Tiradentes: o Centro Sergipe de Combustíveis Verdes e Carbono Zero (SEVerde). Formado a partir da junção entre os programas de pós-graduação stricto sensu da Universidade Tiradentes (Unit), o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), o Tiradentes TechPark (TTP) e o Tiradentes Innovation Center (TIC), o centro temático será implementado ao longo dos próximos três anos, a partir do início de 2026.

Seu projeto já foi aprovado em uma chamada pública da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com investimentos de R$ 14.956.169,27. Foi o único projeto da área de transição energética a ser aprovado entre todas as regiões Norte e Nordeste dentro do edital, que incentiva a criação de centros temáticos de pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas para a ciência e a economia do país. 

O Centro Sergipe tem o objetivo de impulsionar um novo ciclo de pesquisa aplicada em Sergipe, reunindo e desenvolvendo estudos sobre o desenvolvimento de combustíveis avançados, a produção do chamado “hidrogênio verde” e as tecnologias de captura de carbono, bem como o aproveitamento de recursos e resíduos naturais produzidos amplamente em nosso estado, a exemplo da biomassa produzida pela agroindústria. Alguns destes materiais já são estudados nos laboratórios da Unit e do ITP, como os resíduos do coco verde, o licuri (planta típica do semiárido nordestino) e lodos residuais provenientes de estações de tratamento de esgoto, os quais se destacam com fonte de biomassa. 

“Na prática, nós vamos desenvolver e escalar tecnologias integradas para produção de combustíveis avançados, hidrogênio verde e mitigação de carbono, formando recursos humanos qualificados e apoiando a construção de marcos regulatórios, de modo a posicionar Sergipe como referência em energia de baixo carbono e bioeconomia. Este Centro terá alicerce na formação e capacitação de recursos humanos. Os alunos de graduação em iniciação científica vão se beneficiar dessa infraestrutura para desenvolver projetos de IC e tecnologias correlatas e atuarem nesses laboratórios. Isso também vai fomentar as pesquisas á nivel de mestrado, doutorado e pós-doutorado dentro da universidade”, destaca o professor Ranyere Lucena de Souza, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP/Unit), que está na coordenação do Centro. 

Ele acrescenta que outro importante objetivo do SEVerde é unir a comunidade científica e o setor produtivo, para que o estado de Sergipe, em matéria de recursos e insumos, possa se colocar como líder na produção de energia. “O próprio nome do Centro, remete diretamente a Sergipe, deixando explícito que o centro nasce ancorado no território sergipano e voltado às suas vocações e desafios. Isso ajuda a posicionar o centro como um ativo estratégico do Estado, não “apenas” de uma instituição. Além disso, trazer essa identidade territorial, por entender que a matriz energética do Brasil precisa ser diversificada nacionalmente e ser integrada com o seu território, ou seja, com a capacidade de cada região. Existe uma característica muito especial em Sergipe, que é a vocação para energias. Além das biomassas e do petróleo, a gente tem reservas de gás, um hub com potencial de produção de hidrogênio, bioeconomia etc. A formação e a capacitação de recursos humanos para o Estado é fundamental nessa área, e o centro também tem esse propósito”, afirma Ranyere.

Um dos diferenciais, no âmbito tecnológico deste Centro, será a captura de gás carbônico (CO2). “A produção dos mais diversos tipos de biocombustíveis avançados é conduzida por uma ampla gama de processos. Invariavelmente, estes processos de transformação da biomassa em combustível, são responsáveis pela produção de uma grande quantidade de CO2, havendo, portanto, a necessidade de acoplar unidades para a captura de CO2”, detalha o professor, frisando que esta tecnologia pode contribuir para mitigar os efeitos do aquecimento global.

O SEVerde trará a instalação de plantas-piloto que servirão para o estudo e a produção destes combustíveis sustentáveis, permitindo a transição de processos laboratoriais para escala piloto e industrial, acelerando a inserção no mercado. “Esse nível de maturidade indica que o projeto está tecnicamente maduro e pronto para ser testado, o que reduz riscos de implementação e atrai investidores privados, aumentando significativamente a probabilidade de escalonamento e inserção em mercados reais”, afirma o professor.

 A tecnologia já é desenvolvida em outras universidades e centros de pesquisa do Brasil e de outros países como EUA, Portugal e Canadá. A ideia é de que estas plantas, flexíveis e com capacidade de ampliar a escala de produção dos combustíveis, sejam construídas em áreas que sejam seguras, mas tenham visibilidade do público, inclusive com espaços e momentos de visitação pública e aprendizado para demonstrar como acontece o processo de produção daquele combustível. 

“Ou seja, você pode ter uma uma refinaria cuja matéria-prima não é petróleo, e produzir a mesma gasolina que se usa no carro, o mesmo diesel nos caminhões. Hoje, o pessoal é capaz de produzir isso, e essa vai ser uma parte desse projeto. É a primeira vez que nós vamos ter uma planta-piloto aqui na casa, e vamos ter um avanço fora de série em termos de inovação”, resume o diretor acadêmico da Unit, professor Marcos Wandir Nery Lobão.

Conhecimentos integrados

O centro temático terá uma forte atuação dos programas de pós-graduação stricto sensu da Unit. Um deles é o próprio PEP, cujos professores já conduzem pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de combustíveis a partir de diversos materiais, em parceria com equipes e laboratórios do ITP. “O nível de excelência das pesquisas desenvolvidas no PEP, concentrada na transformação de recursos minerais e energéticos, com foco em processos e tecnologias para biocombustíveis e sustentabilidade, foram fundamentais para considerar a solicitação da infraestrutura piloto proposta para o Centro”, destaca o professor Ranyere.

No entanto, as outras áreas de conhecimento e atuação também estão envolvidas no projeto do SEVerde. Isso acontece a partir de uma equipe técnica formada por 10 pesquisadores ligados aos cinco programas em funcionamento atualmente na Unit. 

“O projeto conseguiu organizar e abranger o pessoal de várias áreas. Tem o pessoal de Biotecnologia [PBS], o de Direitos Humanos [PPGD] que vai trabalhar com a parte de legislação, dos marcos regulatórios relacionados à produção de óleo, e ajudar a construir algumas realizações propícias para que o mercado funcione. Porque quando o mercado é regulado, ele gera oportunidades. O programa de Educação [PPED] entrou também para capacitar as empresas, os nossos alunos e os nossos egressos para entrar nesse mercado e nesse novo mundo. Todos os nossos doutores que quiseram participar tiveram espaço, têm recursos e têm atividades dentro desse projeto”, adianta Marcos Wandir. 

Segundo a professora Alana Vasconcelos, do PPED, a participação dos professores e pesquisadores acontecerá através de grupos de pesquisa integrados, onde cada um deles contribuirá com sua expertise científica e metodológica. “Os docentes e pesquisadores dos PPGs atuarão como consultores técnicos, orientadores de projetos aplicados e líderes de frentes temáticas dentro do Centro, garantindo rigor acadêmico, validação científica e alinhamento com as agendas de inovação sustentáveis. Além disso, os PPGs apoiarão a elaboração de estudos, diagnósticos, modelos tecnológicos e indicadores necessários ao desenvolvimento das soluções em combustíveis verdes. Eles atuarão de forma integrada, compartilhando laboratórios, metodologias de pesquisa e agendas de inovação para fortalecer o caráter interinstitucional do Centro.”, detalha.

A interação das áreas será por projetos transdisciplinares, organizados em quatro eixos estratégicos: o de Tecnologia e Engenharia (desenvolvimento de protótipos, análises experimentais e validação de processos); o de Educação e Humanidades (formação de competências, processos educativos, governança e gestão do conhecimento); o de Direito, Gestão e Políticas Públicas (análise regulatória, compliance ambiental, impacto socioeconômico e políticas de carbono zero); e o de Saúde e Meio Ambiente (avaliação de impactos ambientais, saúde ocupacional e sustentabilidade.

A professora Clara Cardoso Machado, do PPGD, explica que o Centro Sergipe vai observar um conjunto de normas legais que regem tanto o setor de energia tradicional quanto o emergente de baixo carbono, a exemplo da Lei do Combustível do Futuro (Lei n.º 14.993/2024). Segundo ela, as atividades do novo centro vão atender a políticas públicas como a Estratégia Nacional de Hidrogênio (ENH), a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e a geração de Créditos de Descarbonização (CBios), a partir de biomassas locais, integrando-se ao mercado financeiro de carbono.

“O SEVerde integra os marcos regulatórios em seus Eixos Estratégicos, garantindo que o desenvolvimento tecnológico seja sustentado por uma base jurídica sólida. A ideia é trabalhar a formação de Recursos Humanos e Integração Institucional e subsídio a Políticas Públicas. Além disso o SEVerde se posicionará como um agente ativo na criação de um arcabouço normativo”, diz Clara, referindo-se a temas como o aprimoramento de marcos jurídicos, legais e regulatórios na área de novos biocombustíveis; colaboração e articulação com agências reguladoras que estabelecem os padrões de sustentabilidade regionais; e estudos de mercado e segurança jurídica.

Conheça aqui outros detalhes sobre o projeto do Centro Sergipe de Combustíveis Verdes e Carbono Zero (SEVerde)

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