Um projeto que busca fomentar um aprendizado mais profundo sobre a ética profissional que deve ser respeitada e vivida no futuro profissional e para sempre. Este é o propósito do projeto “Ética na Saúde: da teoria à prática clínica”, desenvolvido no semestre 2025-2 por alunas dos cursos de Odontologia, Fisioterapia e Psicologia da Universidade Tiradentes (Unit), como parte das atividades da disciplina Formação Cidadã, um componente curricular optativo ministrado aos estudantes do curso, como parte da formação complementar e interdisciplinar prevista na grade curricular destes cursos. A ideia do projeto partiu da professora Dra. Alessandra Conceição Monteiro Alves, responsável pela disciplina e coordenadora do curso de Pedagogia EaD.
Ela explica que os conteúdos programáticos da disciplina Formação Cidadã incluem os temas de Ética e Bioética, além de assuntos relevantes que suscitam grandes discussões e representam pontos fundamentais para a formação profissional dos estudantes. “O objetivo é capacitar os acadêmicos da saúde para identificar, analisar e refletir criticamente sobre os dilemas éticos inerentes à sua futura prática profissional, integrando os princípios bioéticos, a humanização do cuidado e a responsabilidade social por meio de uma atividade prática e colaborativa”, define Alessandra.
Ainda de acordo com ela, o projeto visa ir além da teoria, colocando as alunas em contato direto com profissionais que vivenciam esses desafios diariamente. “A produção de um videocast serve como ferramenta de síntese e divulgação do aprendizado, estimulando habilidades de comunicação essenciais para o trabalho em equipe multiprofissional”, diz alessandra, ao destacar que “a atuação na área da saúde é intrinsecamente marcada por situações que envolvem vida, morte, vulnerabilidade e direitos fundamentais”, e que “o exercício profissional exige mais do que o domínio técnico-científico e requer uma formação ética sólida para guiar decisões complexas.
O projeto funciona semestralmente, começando com a organização das equipes e a divisão dos trabalhos. Em seguida, elas fazem duas visitas de campo, sendo uma aos locais de trabalho das fontes a serem entrevistadas (em geral, profissionais que já atuam no mercado) e outra ao Complexo de Comunicação Social da Unit (CCS), no Campus Farolândia, que dispõe de estúdios e equipamentos para a gravação de podcasts e videocasts. O trabalho segue com a produção, a gravação e a edição do videocast, a ser publicado em uma plataforma de vídeo. Cada episódio tem um tempo médio entre 4 e 6 minutos de duração.
Em cada trabalho, os estudantes são orientados a conduzir as entrevistas e os textos de introdução e encerramento para que eles se foquem nos princípios bioéticos e a artigos específicos do Código de Ética da profissão em foco, destacando seus princípios fundamentais e sua relevância para a qualidade do cuidado. Além disso, eles são orientados a destacar os principais aprendizados de cada entrevista, vincular as falas do profissional aos princípios éticos e relacionar as descobertas com a formação acadêmica e a prática profissional.
“Para enriquecer a formação, o projeto promove a aplicação prática dos conceitos, estabelecendo um diálogo direto dos alunos com profissionais que enfrentam esses desafios em suas distintas áreas de atuação. O projeto dialoga diretamente com os conteúdos específicos de cada curso ao contextualizar os princípios universais da Ética e Bioética nos cenários, dilemas e normas técnicas próprias de cada profissão. Não se trata de uma discussão genérica, mas de uma ponte entre a teoria da sala de aula e a prática profissional”, frisa Alessandra.
Participação das alunas
Uma das estudantes que participaram do projeto “Ética na Saúde” foi Maria Vitória Conceição Carvalho, que estava no último período de Odontologia e se formou no último mês de dezembro. Ela e suas colegas de turma fizeram o videocast “De Boca Aberta Odontocast”, no qual conversaram sobre o tema com o cirurgião bucomaxilofacial Mark John Santana Sabey, que tem cerca de 15 anos de experiência no mercado. Durante a entrevista, ele enfatizou questões consideradas como fundamentais para uma prática humanizada e ética da profissão, como sensibilidade, empatia e responsabilidades.
“Isso acrescentou bastante na minha formação, porque querendo ou não, ele enfatizou o tempo todo a importância de uma odontologia humanizada. E eu levo essa experiência com a convicção de que aliar conhecimento técnico ao humanizado é indispensável para ser uma boa profissional. A gente teve a oportunidade de refletir sobre várias coisas, como aspectos da prática profissional, no que diz respeito tanto ao acolhimento quanto ao atendimento humanizado, porque tudo isso vai muito mais além de técnicas e protocolos. A gente aprendeu também sobre a importância de reconhecer o paciente em sua totalidade, como seu todo, tendo em vista vulnerabilidades, expectativas, medos e até todo um contexto social”, disse Vitória.
Outra participante foi Gabriella de Jesus Silva dos Santos, do sétimo período de Fisioterapia, que ao lado da colega Victória Gabrielly Santos, produziu um episódio do videocast “Ética na Fisioterapia Clínica”. Nela, é apresentado um resumo da entrevista de campo que as alunas fizeram com o professor Lucas Moraes Rêgo, que é egresso do curso e professor na Unit desde 2022. Ele pontuou os desafios que eles e outros fisioterapeutas enfrentam vários desafios éticos no dia-a-dia, principalmente nos casos em que o paciente não segue as orientações corretas do tratamento prescrito.
“O projeto me ensinou que a ética é fundamental para garantir um cuidado mais humano, responsável e justo. Foi importante para compreender o papel social do profissional de saúde. Acredito que esses aprendizados do projeto vão se aplicar à minha futura carreira, resultando em um atendimento mais humanizado, um olhar mais atento ao paciente e às suas necessidades, como as limitações, medo, etc”, acredita Gabriella, destacando que a humanização, o respeito, a empatia e a confiança entre profissional e paciente são tão importantes quanto o conhecimento teórico e prático.
Já a estudante Ágata Mendonça Brasil, do nono período de Psicologia, participou da produção do PsiCast, em conjunto com Ana Clara Franceschi, Andreza Menezes Torres da Rocha, Anne Gabrielle Vieira Santos e João Vitor Omena dos Reis Nery. Eles conversaram com a psicóloga Luciene Pessoa, que atua há 15 anos nas áreas clínica e de neuropsicologia. Para a aluna, a participação no projeto foi uma oportunidade concreta de se aprofundar em uma área de significativa relevância social e profissional, além de estender os conhecimentos construídos para além de seu grupo, permitindo que os resultados fossem compartilhados com toda a comunidade universitária.
“O projeto se consolidou não apenas como uma atividade acadêmica, mas como uma experiência formativa enriquecedora e de impacto coletivo. A participação no projeto tem contribuído significativamente para a compreensão da ética no cuidado com o outro, não apenas como um conceito teórico, mas como um fundamento que orienta a prática profissional. A vivência no projeto favorece o desenvolvimento de competências essenciais, como empatia, escuta ativa, senso de responsabilidade e uma atuação mais humanizada na área da saúde”, definiu Ágata.
Ampliação futura
Este foi o primeiro período de atividades do “Ética na Saúde”, que por enquanto vem sendo realizado internamente na Unit, mas futuramente pode ser ampliado para outros locais e através de outras ações junto à comunidade, que sejam voltadas para a conscientização de profissionais e usuários sobre o respeito à ética e à bioética. A orientadora destaca que o projeto atua na raiz da formação de uma nova geração de profissionais que levará a reflexão ética para dentro de hospitais, escritórios, tribunais, indústrias, laboratórios, academias e outros espaços.
“Atuando nesse projeto, os alunos vão muito além da aprendizagem teórica e desenvolvem competências que agregam um valor imensurável à sua formação profissional e cidadã. Eles adquirem uma vantagem competitiva e uma preparação singular. Chegam ao mercado ou à clínica já familiarizados com os tipos de pressões e conflitos éticos da área, demonstrando maturidade e uma postura reflexiva valorizada por empregadores e pela sociedade. Assim formamos profissionais conscientes e preparados para contribuir com soluções que equilibrem seu fazer profissional com inovação, justiça, equidade e humanização”, ressalta a Dra. Alessandra Conceição.
* Matéria atualizada em 28/01/2026, às 10h15, para acréscimo de informações
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