A abertura de novas possibilidades de parceria e o fortalecimento das relações já existentes foram os principais assuntos da visita realizada nesta quarta-feira, 14, pela gerente de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Galp Brasil, Marcela Mathias. Ela esteve no Campus Farolândia acompanhada pelos gerentes de projetos Douglas Santos e Daniel O’Connor, e ambos puderam conhecer toda a estrutura e funcionamento da Universidade Tiradentes (Unit), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) e do Tiradentes Innovation Center (TIC), que formam o Ecossistema Tiradentes.
A Galp, companhia portuguesa que atua no Brasil através de uma joint venture com a chinesa Sinopec, participa ativamente das explorações de petróleo, gás e energia no litoral brasileiro. Desde 2014, ela passou a firmar convênios e parcerias com o ITP para o financiamento de projetos e pesquisas de desenvolvimento. Ao longo deste tempo, foram quatro grandes projetos de pesquisa com cerca de R$ 50 milhões em investimentos, principalmente na compra e desenvolvimento de equipamentos de última geração para os laboratórios do instituto.
Segundo o professor Cláudio Dariva, docente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP) e coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (Nuesc/ITP), estes projetos e investimentos se concentram em duas frentes: a de óleo e gás, voltada a ações como tratamento de óleos, caracterização de reservatórios, e análises de insumos; e outra na parte de renováveis e de biomassa, voltada ao uso de biomassas e resíduos naturais para a fabricação de biocombustíveis avançados como combustível de aviação e diesel verde.
“Nas duas, tem a parte de desenvolvimento de tecnologia, geração de patentes, formação de recursos humanos, alunos de mestrado, doutorado e pós-docs. É uma parceria bastante intensa entre os grupos”, diz ele, ao destacar a importância da presença dos gerentes da Galp no Ecossistema Tiradentes. “Quando a gestora de P&D do Grupo Galp no Brasil vem aqui e enxerga o que é feito, os resultados dos investimentos que eles fazem e os desdobramentos que esses investimentos geram de tecnologia e também de formação de recursos, isso dá segurança e dá tranquilidade de que o aporte de recursos por parte da empresa dá resultado. No fim das contas, o que eles querem com esse investimento é também ver desdobramentos para a sociedade”, completa o professor.
Relação de confiança
Marcela lembrou que um dos primeiros projetos de pesquisa firmados pela Galp (através da Petrogal Brasil), com recursos da Agência Nacional do Petróleo (ANP), foi com o ITP, que formou o chamado grupo Galp 2, na área de óleo e gás. “Foi esse grupo que originou a nossa parceria. Já exploramos um pouco aqui as capacidades do ITP na área de óleo e gás e hoje o nosso projeto ativo é na área de biomassa, demonstrando a capacidade e a variedade de expertise dessa instituição, que tem sido um parceiro muito sólido”, disse.
Ela também destacou a Unit como a principal responsável por todo o know-how e pela formação do grupo de pesquisadores envolvidos. “Hoje, o sucesso dos projetos se dá por conta dos profissionais que foram formados majoritariamente aqui dentro da Unit. Isso mostra, de fato, como o grupo de profissionais que foi formado aqui está preparado para assumir os desafios que estão aí no mercado e de qualquer área, seja de óleo e gás, seja na área de biocombustível e biomassa, que é o nosso atual projeto, pois todos eles são formados dentro da Unit”, completou Marcela.
Para o presidente do ITP, Paulo do Eirado Dias Filho, a visita dos gerentes da Galp confirma um trabalho de mais de 20 anos, no qual há uma intensa troca de confiança e de colaboração entre as partes. “A gente se sente muito grato pela contribuição deles, mas também prestamos um serviço muito relevante, que faz com que essa parceria permaneça tanto tempo e de forma ascendente. Para nós, é um momento muito oportuno. É a primeira vez que alguns deles estão vindo aqui, ficaram certamente bem impressionados e vão levar essa imagem para fortalecer ainda mais os nossos convênios”, afirma.
O diretor acadêmico da Unit, professor Marcos Wandir Nery Lobão, destacou que a parceria agrega muito à formação de novos profissionais e pesquisadores. “A presença da Galp agrega porque nós vamos construir projetos desafiadores, que estão na carteira deles e que eles vêm fazer aqui com a gente. Agrega na hora que você coloca alunos de iniciação científica, de mestrado e de doutorado para desenvolver esses projetos. E na hora que você vai ter uma produção científica dos desafios apresentados pela Galp, a partir desses projetos. Agrega também porque estamos fazendo uma parceria com a estrutura internacional, bem como no momento em que Galp, Unit e ITP estão juntos para captar mais recursos, com um trabalho conjunto e construído de pesquisa, desenvolvimento e inovação”, considerou ele.
Os três gerentes da empresa portuguesa percorreram o Campus e puderam conhecer toda a estrutura dos cursos, laboratórios e centros de pesquisa relacionados ao setor de gás e energia, que incluem equipamentos de última geração e outros de poucos exemplares em funcionamento no mundo. Eles também conheceram a infraestrutura dos cursos de exatas da Unit no Campus Farolândia, incluindo laboratórios e salas de aula, e o Tiradentes Innovation Center, centro de inovação que atua no desenvolvimento de projetos e negócios, bem como a incubação de startups.
Projetos no Park
Na ocasião, eles foram apresentados ao projeto e às obras do Tiradentes TechPark (TTP), parque tecnológico que será sediado no Bloco B do Campus Farolândia e está sendo implementado a partir de uma parceria com a Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL/SE) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A apresentação foi feita pelo coordenador do TTP, professor Denisson Salustiano.
De acordo com Marcos Wandir, o TTP permitirá o surgimento de trilhas para que os alunos da Unit façam a sua formação resultar na criação de novas ideias e empresas, a partir de um espaço de ambientação e inovação. “O parque vai acolher ideias dos nossos alunos e de parceiros, para que exista toda uma movimentação de concepção de produtos baseados no que a gente tem de melhor, seja nas engenharias, seja na saúde, na parte de educação, na parte de biotecnologia, na parte de direitos humanos. Pretendemos ajudar não só a formação com a educação, mas também a parte legal na composição de tudo isso. Não adianta você falar em energia se você não tem um bom marco regulatório para atrair empresas”, explicou ele.
Todos foram unânimes ao destacar as amplas possibilidades de projetos e parcerias que podem se desdobrar entre a Galp e o Grupo Tiradentes, a partir do surgimento do Tiradentes TechPark. Marcela Mathias considera o desenvolvimento do TTP como um passo muito importante neste sentido. “A gente acha que isso vai ser muito promissor para aproximar cada vez mais essa instituição do mercado. Todo o setor de petróleo, todas as empresas que investem, e até mesmo a própria ANP querem que a tecnologia, o sistema, o processo ou produto ganhe vida e vá cobrir os desafios e os gaps que existem no mercado. Eu enxergo esse parque como um passo fundamental para estreitar esse caminho”, acredita a gerente.
“Essa é uma espécie de guarda-chuva em que vamos abrindo novas possibilidades, a partir de uma experiência já realizada e que os campos vinculados às questões ambientais e de energia são crescentes. Do ponto de vista da relação com a academia, a gente tem uma performance irreparável, o que já é atestado através das notas e dos conceitos que nós temos. Agora, precisamos fazer com que as nossas patentes e produtos venham a se tornar efetivamente disponíveis para a sociedade e para a indústria. Hoje, já temos maturidade suficiente para isso e esses convênios só vem a confirmar essa aproximação com a indústria. Todo dia, aparecem novos desafios, e estamos aqui de portas abertas para receber esses desafios e oferecer soluções”, concluiu Paulo do Eirado.
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