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O desafio de tentar recuperar o tempo de aulas paradas na pandemia

Para doutora em Educação, serão vários desafios e necessários esforços de alunos e professores para diminuir lacunas de aprendizagem

às 14h12
A Unesco aponta o Brasil como um dos países que ficaram mais tempo sem aulas presenciais no mundo (Michel Corvello/Prefeitura de Pelotas/Agência Câmara)
A Unesco aponta o Brasil como um dos países que ficaram mais tempo sem aulas presenciais no mundo (Michel Corvello/Prefeitura de Pelotas/Agência Câmara)
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A pandemia de Covid-19 chegou ao mundo causando estragos, literalmente, em diversos setores além da saúde. A educação foi um deles, com crianças e jovens sem aulas presenciais nas escolas há cerca de 18 meses, devido ao distanciamento social imposto como medida sanitária para impedir a propagação do coronavírus. Com a vacinação ocorrendo em massa, a previsão é de que as escolas públicas e privadas de todo o país voltem a receber os alunos até setembro, mas ainda com medidas sanitárias restritivas, uso de máscaras e higienização das mãos. 

O principal desafio – e dúvida – que surge neste cenário é o que fazer para recuperar o tempo perdido de aulas, além de convencer os desistentes a regressarem aos bancos escolares. O Brasil está entre os países que mais tempo ficaram sem aulas presenciais no mundo, segundo pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). “As escolas deveriam ser os últimos lugares a fechar e os primeiros a reabrir”, lamentou o coordenador de Políticas Educacionais do Movimento Todos pela Educação, Ivan Gontijo, que considera bastante relevante o papel do ambiente escolar na vida social das crianças, dos jovens e familiares. “Tem o papel da aprendizagem, mas também de formação de vínculos e de convívio com as diferenças, são espaços de proteção, onde professores e diretores identificam situações de violência doméstica e abusos, e de segurança alimentar, onde muitos garantem uma refeição completa”, ressalta.

E ainda dá pra recuperar o tempo perdido? É algo que a professora Jane Luci Ornelas Freire, doutora em Educação e gerente de Inovação e Qualidade Acadêmica do Grupo Tiradentes, tem dúvidas. “Só há como atuar agora, no presente, buscando a melhoria daqui para frente através da gestão da aprendizagem que vai exigir que as escolas se preparem em termos de tecnologia, desde o Learn Analytics ao quadro de professores e formação continuada. Muitas escolas e instituições de ensino superior já estão investindo nisso”, disse ela, destacando que as instituições de ensino do Grupo Tiradentes seguem as linhas da formação continuada dos professores e do uso de plataformas tecnológicas.

Visando a aprendizagem contínua, é preciso fazer avaliação diagnóstica a todo momento, seja no ingresso ou no reingresso do aluno e acompanhar essa evolução da aprendizagem, de modo a que escolas trabalhem com os fundamentos e as boas práticas da gestão da qualidade. Em síntese, é fazer um bom levantamento de dados acerca das aprendizagens dos estudantes, o que eles trazem previamente, para aplicar atividades coerentes com as necessidades deles, além de acompanhar, dar feedback e suporte para entusiasmá-los ao avanço. 

Para Jane Luci, o problema a ser enfrentado não é somente o de aprendizagem dos estudantes, mas também das instituições que “precisam investir em tecnologia digital e na preparação dos seus professores”. Ela afirma que superar as lacunas de aprendizagem dos estudantes só é possível através da gestão da aprendizagem, o que não é uma conclusão recente. “Há algum tempo, os estudantes têm saído, por exemplo, do ensino médio e adentrado no nível superior com muitas lacunas cognitivas na área de raciocínio lógico, operações matemáticas e leitura e interpretação de texto. O uso da língua portuguesa e suas dimensões cognitivas precisam ser bem trabalhadas, porque elas promovem a autonomia dos seres humanos para que galguem um desenvolvimento intelectual em nível superior”, pontuou a doutora.

“Gaps”

Essas falhas de aprendizagem também são chamadas de “gaps de aprendizagem” e podem ser identificadas em avaliações diagnósticas que devem ser feitas pelas escolas nessa fase de retomada das aulas presenciais. Estes testes também podem apontar potencialidades que podem ajudar os próprios alunos a superar os desafios. Segundo a professora, os “gaps” surgem quando os alunos não têm um acompanhamento de perto, e foi o que ocorreu durante a pandemia com o ensino remoto, dando margem para dispersão, desinteresse e até mesmo receio em tornar públicas as dificuldades.

A professora Jane Luci propõe a criação de planos pedagógicos coerentes com as necessidades apontadas nas avaliações diagnósticas. “Este apoio é sobretudo humano. Precisa ser com professores preparados para fazer interlocução com os estudantes, estimulando-os a avançar. Muitas serão atividades complementares, em horários alternativos para que eles possam realmente melhorar o nível de aprendizagem. Mas será necessário esforço de todos para minimizar os danos”, finaliza.

Asscom | Grupo Tiradentes
com informações do Todos pela Educação 

 

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