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Orgulho LGBTQIA+: preconceito é grande desafio

Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA + tem como um dos objetivos conscientizar a população sobre a importância do combate à homotransfobia.

às 01h14
Monica Porto
Monica Porto
Lucas e a mãe
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Identificado com o sexo feminino ao nascer, o estudante de Publicidade e Propaganda da Universidade Tiradentes, Lucas, 18 anos, enfrentou preconceito e aceitação desde criança. Mas nesse percurso, também se deparou com oportunidades para disseminar informação sobre respeito LGBTQIA+. Como a de hoje, de se motivar em falar sobre o assunto para justamente impactar mais pessoas, em busca de uma sociedade mais plural.

Inclusive, o modelo virtualizado do ensino na Unit durante a pandemia, para ele, tem sido importante nesse processo. “O que me motivou a dar essa entrevista foi vencer (…) a vergonha das pessoas me verem; porque vou fazer cirurgia de retirada de mamas e quero começar uma fase nova com as pessoas me vendo no corpo que me identifico. As aulas começaram on-line e me ajudaram a vencer isso porque fui construindo uma imagem virtual antes de me conhecerem pessoalmente”, conta.

O curso de Publicidade e Propaganda já tem auxiliado Lucas a preparar material para divulgar a ‘Lojinha da Diversidade’ criada para auxiliar pessoas LGBTQIA+. Trata-se de uma loja colaborativa que montou com a mãe e vem lhe possibilitando, inclusive, se aventurar na produção audiovisual e a construir sua história com a namorada que se identifica como mulher transgênero.

“Durante o processo de assumir a mudança física, meus pais se separaram. Moro com minha mãe e ela conheceu um grupo chamado ‘Mães pela Diversidade’, participava de rodas de conversa. Hoje, ela acolhe outras mães e faz trabalho social. Montamos uma loja para arrecadar dinheiro para processo de mudança de nome, alimentos, para auxiliar pessoas LGBTQIA+ e tenho usado conhecimentos do curso para fazer a divulgação da loja”.

Respeito

A egressa do curso de Direito da Universidade Tiradentes, Mônica Porto, atua como advogada da Associação Brasileira de Pessoas Intersexo e atua como presidente da Comissão LGBTQIA+ da OAB Sergipe. Mônica se reconhece como pessoa Intersexo e pansexual e compartilhou ou pouco de conhecimento sobre o assunto.

“Pessoas Intersexo são pessoas que têm características biológicas dos dois sexos, que podem ter genitália ambígua ou não. Existem várias variações. Descobri que era uma pessoa Intersexo com 27 anos quando troquei de ginecologista. A aceitação é difícil na família, no meio LGBT também. Estou em uma situação de privilégio e quero levar informação”, explica.

Para Mônica, a dificuldade maior é lutar contra preconceito entre pessoas que são alvo. “O que não dá é chegar ao movimento e escutar que se assumir é ter um estigma, é ter o apelido de et”.

Já para Lucas, a configuração corporal é um desafio. “Sou um homem transgênero, o que significa que fui designado quando nasci como sexo feminino. Quando eu era criança, algumas coisas sociais me incomodavam como cabelo, roupa brinquedos. O corpo começou a me incomodar na puberdade. Com 12 anos, conversei com minha mãe que gostaria de mudar o cabelo, mudar as roupas, comecei terapia, mudei o nome. Dei sorte na família e na escola porque fui acolhido. É uma luta social”.

Orgulho LGBTQIA+

Nesta segunda-feira, dia 28, é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA + (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Pessoas Intersexo), a data tem como um dos objetivos conscientizar a população sobre a importância do combate à homotransfobia.

Segundo dados divulgados no relatório anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil, novamente, é o país que mais mata trans. No ano de 2020, foram registrados 175 assassinatos de pessoas transgênero, o que significa um caso a cada dois dias. Além disso, o relatório ainda divulgou que todas as vítimas eram mulheres trans/travestis. A maioria dessas mulheres era negra, conforme aponta a pesquisa. Ainda de acordo com a Antra, há falta de vontade do poder público de realizar o levantamento desses casos, gerando uma subnotificação dos crimes.

No Conexão Tiradentes desta semana, Lucas e Mônica compartilharam um pouco de suas experiências e, o principal: deram uma verdadeira aula sobre respeito LGBTQIA+. Para conferir, clique abaixo:

 

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