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Os prós e os contras no debate sobre a meritocracia

Embora seja amplamente utilizada no Brasil, a meritocracia também é criticada por contribuir para a manutenção de desigualdades

às 18h16
A não consideração da desigualdade entre grupos sociais, principalmente negros e brancos, reforça as críticas ao sistema de meritocracia (Unsplash)
A não consideração da desigualdade entre grupos sociais, principalmente negros e brancos, reforça as críticas ao sistema de meritocracia (Unsplash)
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A meritocracia é uma forma de identificar os colaboradores de uma empresa que realmente fazem a diferença, contribuindo com ideias inovadoras e mantendo-a competitiva aos desafios do mercado. É um sistema muito utilizado no país por diversas instituições e organizações. O governo, quando ele contrata pessoas por meio de concursos públicos, e as empresas, para reconhecer seus funcionários, também lançam mão de critérios e regras meritocráticas. O objetivo principal deste sistema é desenvolver e reconhecer o comportamento dos colaboradores e a entrega de resultados. 

Embora seja amplamente utilizada no Brasil, a meritocracia também é alvo de críticas. Isso porque, para alguns estudiosos, ela também contribui, mesmo que indiretamente, para a desigualdade social no país. Um comparativo feito pelo Instituto Ethos, entre cargos importantes que são ocupados por negros e brancos, aponta que os salários deles só estarão iguais, provavelmente, em 2082. 

Além disso, pesquisas recentes também apontam que hoje apenas 5% dos homens negros ocupam cargos executivos, o que no caso das mulheres negras chega a menos de 1%. Essa desigualdade não atinge somente os negros, mas também outros grupos que enfrentam essas dificuldades, como mulheres e pessoas com deficiência. 

Ou seja, no ambiente competitivo de trabalho, quando um colaborador menos favorecido vê outro passando à sua frente e ocupando um cargo mais alto, sempre terá a ideia de que o colega conseguiu determinada promoção ou premiação, não apenas por merecimento, e sim pelas oportunidades que ele teve em sua vida. Na realidade brasileira em que vivemos, podemos perceber que a desigualdade econômica, social, cultural e educacional é muito grande, o que os colaboradores de uma empresa, entre os que tiveram mais oportunidades na vida e os que não tiveram. 

Todos devem ter a atitude de se esforçar, se mostrar capazes de realizar as atividades e contribuir para o crescimento da empresa, mas muitos acreditam que quando chegar o momento de ter uma promoção, provavelmente não serão apenas esses fatores que serão levados em conta.

Pontos positivos

A meritocracia possui tanto pontos positivos como negativos. Dentre os considerados positivos, está a promoção do aumento de serviços prestados à sociedade, com o aumento do número de pessoas a mais oportunidades de emprego e educação. Isso foi surgindo a partir da desvinculação do poder público dos laços de parentesco, por considerar que nem todos os herdeiros seriam pessoas competentes ou bons administradores. 

No Brasil, a instituição dos concursos públicos, que se tornou exigência constitucional a partir de 1988, ajudou nesse processo de desvinculação. Todavia, essa desvinculação não foi completa, pois a Constituição Federal manteve os cargos políticos e os de livre nomeação e exoneração, que são, na prática, aqueles do mais alto escalão, mais bem remunerados e responsáveis pelas decisões econômicas e políticas, e para os quais podem ser nomeadas pessoas ligadas a partidos, grupos ou líderes políticos. Nesta categoria, enquadram-se os cargos em comissão e os contratos temporários. 

Pontos negativos

Dentre os considerados pontos negativos da meritocracia, vale destacar o fato de ser ela uma ideologia, e, por conseguinte, servir aos interesses de alguma classe dominante e aos seus compromissos institucionais, e, não raro, funcionando como instrumento de alienação. 

Um exemplo baseado na teoria meritocrática ocorreu no campo religioso, no qual houve uma total inversão de valores. A riqueza, que era criticada e condenada pela religião católica, transformou-se, para alguns segmentos evangélicos, numa prova de que o seu detentor seria possuidor do mérito em adquiri-la, e que o seu esforço por conquistá-la seria uma bênção aos olhos de Deus. 

Outro ponto negativo da ideologia foi desvincular totalmente as conquistas financeira, intelectual e moral do homem da sua condição social. A consequência natural disso seria que os pobres, em tese, teriam as mesmas oportunidades dos ricos, pois o prestígio e os empregos bem pagos podem ser garantidos somente com base na inteligência e na capacidade de uma pessoa. 

Asscom | Grupo Tiradentes

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