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Os santos de junho: populares e tradicionais quanto suas festas

As festas juninas foram trazidas de Portugal e se uniram a outros elementos do campo e das cidades para venerar os santos católicos muito queridos pelos brasileiros

às 18h33
Comemorados no mês de junho, Antônio, João e Pedro são venerados por seus exemplos de vida e de dedicação à mensagem de Jesus (Reprodução/Canção Nova)
Comemorados no mês de junho, Antônio, João e Pedro são venerados por seus exemplos de vida e de dedicação à mensagem de Jesus (Reprodução/Canção Nova)
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Antônio, João e Pedro. Três nomes bastante presentes na população brasileira, e também nas outras nações de língua portuguesa ou de tradição cristã. Eles significam a grande popularidade de três santos da Igreja Católica, venerados por seus exemplos de vida e de dedicação à mensagem de Jesus Cristo, pela qual entregaram até mesmo as próprias vidas. E mesmo após suas mortes, eles são louvados e reverenciados por uma infinidade de graças e favores aos fieis. É esta popularidade que explica a dedicação de todo o mês de junho (fora as prévias e as “ressacas”) a tantas e tantas festas e celebrações sagradas (e também profanas), enraizadas na cultura popular de cada região, a ponto de terem sua importância comparada à do próprio Natal. 

O início desta devoção em Sergipe é atribuído aos colonizadores portugueses, que já dedicavam suas festas aos santos e as trouxeram para cá ao longo dos Séculos 16 e 17. Inicialmente, apenas o dia de São João era comemorado, mas depois elas se estenderam aos dias de São Pedro e Santo Antônio. E com o passar do tempo, as celebrações européias, judaicas e portuguesas foram se imiscuindo com outros elementos e costumes indígenas e africanos, sobretudo em suas danças, vestes, músicas e comidas típicas.

“Diversas tradições das primeiras festas juninas em Sergipe perduram até hoje. As fogueiras, acendidas para simbolizar a luz e a purificação, continuam sendo um dos principais elementos das celebrações. As quadrilhas juninas, originadas das danças de salão europeias e adaptadas pelas camadas populares, são danças tradicionais realizadas durante as festas. Os pratos típicos como canjica, pamonha, mungunzá e bolo de milho, feitos com ingredientes locais, são consumidos durante as festividades”, explica o professor Rony Rei do Nascimento Silva, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Tiradentes (Unit). 

A introdução destes costumes também tem ligação com as origens das próprias festividades. Originalmente, antes de serem assimiladas pelo cristianismo e atribuídas aos santos católicos, elas eram celebrações pagãs para comemorar a chegada do verão (no hemisfério norte) e o início das colheitas dos alimentos, principalmente do milho. Esta motivação permaneceu arraigada nos festejos do nordeste brasileiro, cuja economia e vida cotidiana ficaram profundamente ligadas ao campo. E assim, essas festas passaram a ser organizadas pelas paróquias de cada comunidade, por meio das chamadas “quermesses”. 

“Inicialmente realizadas em áreas rurais e paróquias, as festas juninas em Sergipe começaram a se expandir para as cidades a partir do século XIX. Com a chegada da Corte Portuguesa em 1808, a quadrilha como dança nobre foi introduzida nos palácios e, posteriormente, disseminada para as periferias das cidades e para o interior, transformando-se em uma manifestação popular”, detalha Rony. 

Já entre as décadas de 1970 e 1990, as festas juninas passaram a ser organizadas pelas prefeituras locais e ganharam dimensões maiores, atraindo turistas. “Foi o que contribuiu para a valorização da cultura local e o desenvolvimento econômico das cidades”, diz o professor, referindo-se ao fenômeno ocorrido em cidades como Capela, Estância, Itabaiana, Muribeca, Areia Branca e Rosário do Catete. Em cada uma delas, um dos três santos é considerado padroeiro ou co-padroeiro do município, e sua respectiva data é feriado municipal. Santo Antônio também é padroeiro da Diocese de Propriá, que abrange as cidades do norte do estado. 

Quem são eles

O principal deles, São João Batista, é comemorado em 24 de junho, dia de seu nascimento, e associado à colheita do milho e ao início das chuvas, fundamentais para a agricultura nordestina. É descrito nos Evangelhos como “o Precursor”, que anunciou a iminente vinda de Jesus Cristo à Terra e foi responsável pelo seu batismo nas águas do Rio Jordão, atual território de Israel. “Eu vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, e não sou digno nem de desamarrar suas sandálias”, dizia ele em relação a Jesus. Ambos, aliás, eram primos e nasceram com seis meses de diferença. João começou a pregar por volta de 28 d.C e dois anos depois, após ser preso por ordem do então rei da Galiléia, Herodes Antipas, morreu decapitado na cadeia. 

O martírio também foi o destino de São Pedro, um pescador de origem humilde nascido na Judéia, que se tornou o primeiro apóstolo a ser chamado por Cristo. Considerado como o fundador da religião cristã e primeiro Papa da Igreja Católica, ele assumiu a liderança dos discípulos e seguidores, tendo recebido essa atribuição do próprio Jesus: “Eu te darei as chaves do meu Reino. O que tu ligares na terra será ligado no céu, e o que desligares na terra será desligado no céu”. Por isso, Pedro é considerado o guardião das chaves do céu, sendo invocado para proteção e prosperidade. Ele foi crucificado por volta do ano 67 d.C, em Roma, por ordem do imperador Nero, e seu dia dedicado é o da execução: 29 de junho. 

O mais recente dos três, Santo Antônio, morreu no dia 13 de junho de 1231 em Pádua, atual Itália. Nascido em Lisboa, antigo Reino de Portugal, era de uma família nobre, mas deixou tudo para se tornar frei, primeiro na Ordem de Santo Agostinho e depois junto aos seguidores de São Francisco de Assis. Em vida, se destacou como um grande pregador, conquistando multidões com a sua comunicação simples e fácil. E após sua morte, centenas de milagres atribuídos a ele foram reconhecidos pela Igreja. Em um deles, uma jovem que não tinha dinheiro para pagar o dote de casamento conseguiu o valor após rezar diante de uma imagem de Antônio. Por isso, ele é conhecido como “o santo casamenteiro” e invocado para bênçãos no casamento e na vida familiar. 

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