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Preservação do patrimônio afro-brasileiro em Sergipe

Docente de História EAD tem projeto de pesquisa aprovado com segunda maior nota em edital nacional do Ministério da Cultura

às 23h19
Ane Luíse: “As relações do pós abolição eram veladas”
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Ane Luíse: “As relações do pós abolição eram veladas”

Ane Luíse: “As relações do pós abolição eram veladas”

O projeto de pesquisa intitulado “Conflito e negociações no pós abolição: as relações de compadrio e dados populacionais em Sergipe”, de autoria da professora do curso de História a distância da Universidade Tiradentes, Ane Luíse Silva Mecenas Santos, obteve a segunda melhor nota, 9,81, entre os trabalhos aprovados no edital de preservação e acesso aos bens do patrimônio afro-brasileiro, lançado pelo Ministério da Cultura – MinC – em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, a Fundação Joaquim Nabuco – Funaj – e a Rede Memorial.

O objetivo do edital é apoiar atividades que propiciem a ampliação do acesso da sociedade civil à memória da cultura afro-brasileira. O projeto da professora Ane Luíse concorreu com outros 92, propostos por pesquisadores de todo o País. Somente 18 foram aprovados. “Os avaliadores observaram questões como o currículo do proponente, a proposta de execução do projeto, objetivos, metodologia e conhecimento do referencial teórico abordado”, explica a docente da Unit EAD.

Ane Luíse receberá R$60 mil para executar o projeto em um prazo máximo de um ano. A execução prevê a contratação de seis alunos da Universidade Tiradentes, com bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq –, para fazer a catalogação, fotografia e inserção das imagens dos documentos em um banco de dados.

De acordo com Ane Luíse, a intenção é digitalizar arquivos paroquiais em municípios sergipanos como Neópolis, Santa Luzia do Itanhy, Lagarto e Laranjeiras. Documentos que permitam identificar como se davam as relações de compadrio no período pós abolição e os dados populacionais daquela época.

“As relações do pós abolição eram normalmente veladas, como se, a partir de 13 de maio de 1888 (dia em que a Lei Áurea foi sancionada), todos os problemas escravistas tivessem sido jogados para debaixo do tapete. Nos últimos dez anos, os pesquisadores, principalmente do eixo Rio-São Paulo, começaram a se debruçar sobre a documentação desse período da história, que apresenta, por exemplo, conflitos entre trabalhadores aparentemente simples, mas que denotavam questões muito mais emblemáticas da sociedade brasileira, problemas enraizados, que vinham do processo escravista”, explica Ane Luíse.

Projeto ampliado

Segundo a docente do curso de História EAD, o projeto que será financiado pelo MinC é a ampliação de uma pesquisa aprovada em edital interno da Unit e iniciada no município de São Cristóvão. Sobre os dados populacionais, Ane Luíse explica que os documentos paroquiais traduzem muito da sociedade pós abolição.

“No final do império, nós não tínhamos o Censo do IBGE. Esse trabalho era feito pelos padres e muitos dados sobre quem vivia em cada comunidade, casamentos, batizados, mortes, estão nesses registros das paróquias. São documentos que normalmente não estão nos grandes acervos de instituições públicas e, por isso, acabam deteriorados. Daí a importância preservá-los”, ressalta a professora Ane Luíse.

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