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Pesquisador do INT ministra aula no PEP sobre processamento de biomassa

Fábio Bellot é um dos principais estudiosos do país na área de energias renováveis e participa de pesquisa desenvolvida na Unit sobre a conversão de materiais orgânicos

às 11h17
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O desenvolvimento de pesquisas com biomassa, através de técnicas mais aperfeiçoadas, foi o tema da aula inaugural dos cursos de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP), da Universidade Tiradentes (Unit), que aconteceu nesta terça-feira, 18, no auditório do Bloco C do Campus Farolândia. A aula com o tema Biorefinarias do Futuro: fracionamento e valorização da biomassa com sais fundidos, foi ministrada pelo pesquisador Fábio Bellot Noronha, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), sediado no Rio de Janeiro (RJ) e vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Com mais de 210 artigos publicados em revistas científicas internacionais, Bellot é considerado um dos principais pesquisadores do país na área de energias renováveis, sendo ainda integrante da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e professor em programas de pós-graduação do Instituto Militar de Engenharia (IME), da Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU/MG). 

Ele veio a Aracaju a convite dos professores do PEP/Unit, com quem já tem uma parceria há cerca de três anos, para pesquisas sobre conversão de biomassa. Segundo o professor Giancarlo Salazar Banda, coordenador do PEP, a aula tem o objetivo de reforçar a interação entre as instituições e abrir novas possibilidades de pesquisas conjuntas e redes de colaboração. “O professor Fábio é um expoente na área, e é importante para que os nossos alunos saibam que o que ele está está fazendo, o estado da arte da pesquisa que ele está levando lá no Rio de Janeiro e é importante não somente que ele conheça a gente, para que os nossos alunos também conheçam essa área de pesquisa e alguns colegas aqui no grupo que também trabalham com valorização de biomassa”, afirmou. 

Antes da palestra, o pesquisador do INT visitou os laboratórios do PEP e do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), do qual faz parte o Núcleo de Estudos de Sistemas Coloidais (Nuesc). Ele destacou a alta qualidade científica e estrutural do programa da Unit, que completou 20 anos em 2025 e detém atualmente o conceito 6 da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), sendo considerado de excelência nacional e internacional. 

“A gente vê que ele vem crescendo constantemente lá na Capes e os trabalhos de qualidade que vem sendo feitos aqui pelo grupo. Não surpreendeu, mas me impactou positivamente tudo que vocês vem fazendo aqui. Esta é a segunda vez que eu venho aqui, mas a outra foi há muito tempo atrás. Achei que o programa mudou muito: os laboratórios cresceram, estão bem aparelhados com equipamentos modernos. É realmente, na minha visão, um impacto muito positivo do grupo e em particular do programa”, elogiou Fábio. 

A aula inaugural foi acompanhada por alunos e pesquisadores como Dayse Carine Andrade Valério, que está iniciando o segundo semestre de mestrado no PEP. Ela trabalha em uma pesquisa sobre recuperação de biomassa em através de métodos eletroquímicos e produção de hidrogênio verde. “O mestrado não trabalha unicamente com a área, mas acaba desenvolvendo um trabalho interdisciplinar, juntamente com áreas de engenharia, de saúde, é, biologia, física e outras. Eu acredito que essa palestra pode agregar valores e trazer um novo horizonte em relação à minha pesquisa, mesmo que não seja especificamente com a minha área. Essa segunda parte do mestrado é um momento onde a gente consegue ter uma pesquisa mais focada no laboratório, e dar um maior andamento à pesquisa”, disse ela.

Técnica aperfeiçoada

Bellot explicou em sua aula no PEP que desenvolveu, em parceria com pesquisadores holandeses, uma técnica de pré-tratamento para a chamada biomassa lignocelulósica, um material orgânico originado da madeira e de resíduos agrícolas e que possui substâncias como celulose, hemicelulose e lignina, o que exige um pré-tratamento anterior para separar os sais da biomassa. 

“O que eu vim mostrar aqui foi outra maneira da gente fazer isso e mostrar um pouquinho as vantagens e desvantagens dessa tecnologia que estamos utilizando no nosso laboratório. A grande vantagem é fazer esse processo a temperatura baixa, pois temos menos custos energéticos e a gente consegue separar todas aquelas frações e ao mesmo tempo transformá-las em produtos que a gente tem interesse, seja biocombustíveis ou seja produtos químicos. Isso tudo em condições de temperatura, pressão bem baixa e que torna esse diferencial em relação às outras tecnologias que a gente tem no momento”, disse. 

O pesquisador do INT está trabalhando em conjunto com o professor Cláudio Dariva, do PEP/Unit, e mais as equipes de alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado das duas instituições e de mais três universidades francesas, com apoio e financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A doutoranda Beatriz Almeida Carneiro Palmeira, do PEP, passou quatro meses no Laboratório de Catálise do INT, no Rio de Janeiro, e está hoje em estágio de doutorado-sanduíche na Universidade de Poitiers, na França. 

Antes da aula, ambos fizeram uma reunião de avaliação das pesquisas, dos resultados obtidos e de seus encaminhamentos futuros. A ideia, segundo eles, é transformar esses resíduos em combustíveis ou produtos químicos de alto valor agregado. “O que estamos fazendo é colaboração entre os nossos laboratórios, trocando alunos e experiências. O objetivo é trabalhar essa nova técnica e fazer produtos para valorizar essa biomassa, que podem ser biocombustíveis avançados, como combustíveis de aviação, diesel verde, biodiesel, mas também pode ser fármacos, produtos químicos intermediários e outros produtos que tem o maior valor agregado para a comunidade”, informou Dariva. 

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