Uma função muito importante para a organização das galerias, museus e espaços culturais é a curadoria. Nela, o profissional responsável utiliza todo o seu conhecimento técnico, estético e cultural para selecionar e organizar as obras de arte, informações e objetos, construindo narrativas e experiências, de modo que ele funcione como mediador entre o público e o conteúdo. Um egresso da Universidade Tiradentes (Unit) vem se destacando nesta função: o arquiteto Rodrigo Fonseca, que se graduou no curso de Arquitetura e Urbanismo da instituição e hoje está à frente da curadoria da Ces Arts Galeria, em Aracaju.
Ele conta que escolheu a carreira de arquiteto por inspiração dos pais, que já tinham ligações profissionais com as artes plásticas. O pai, César Gonçalves, atua há mais de 30 anos como colecionador de arte e manteve a Ces Arts durante 20 anos em Salvador (BA), antes de se mudar com a família para Aracaju. “Por conta da minha criação e dos negócios dos meus pais, eu sempre estive cercado pelo universo das artes. Isso acabou moldando meu olhar e meu interesse por estética, espaço e referências visuais. A Arquitetura surgiu como um caminho lógico dentro desse ambiente. E a Unit foi a escolha porque, na época, era a única universidade em Sergipe que já oferecia o curso e tinha uma visão mais moderna e estruturada”, disse Rodrigo.
A entrada no curso foi no início de 1999 e a formatura se deu no final de 2003. Fonseca define estes anos como “intensos” e ainda guarda muitas boas lembranças, sobretudo dos aprendizados que iam além das aulas. “Lembro das madrugadas fazendo maquete, dos professores que puxavam a gente para pensar diferente e de amigos que levo comigo até hoje. O que mais me marcou foi entender que Arquitetura não é só forma: é leitura das pessoas, é criar pequenos mundos e dar sentido aos espaços de um jeito que conversa com quem vai vivê-los”, define.
Ao longo do curso, Fonseca teve uma experiência complementar como monitor da disciplina de Desenho de Arquitetura, na qual atuou durante um ano. Para ele, a passagem pela monitoria contribuiu para um maior desenvolvimento do olhar técnico, do domínio de representação e da segurança em explicar processos, além de agregar noções de responsabilidade e de como orientar outras pessoas dentro de um processo criativo e técnico. E foi o que abriu seu caminho para atuar na curadoria artística, realizando o seu antigo desejo profissional.
“A Unit ajudou a aprofundar e profissionalizar algo que já fazia parte do meu universo desde cedo, por influência da minha criação e das referências que eu tinha. Ela me deu formação técnica, visão crítica e acesso a pessoas e oportunidades que ajudaram a construir o caminho que sigo hoje na arquitetura, na Casacor e agora na Ces Arts. Até hoje eu lembro de ensinamentos, técnicas e aprendizados daquele período. Foi um ponto de partida sólido para tudo o que veio depois”, afirma o egresso.
O espaço “dessas artes”
Com o nome Ces Arts, que em francês quer dizer “Essas artes”, a galeria foi instalada em 2023 no bairro Salgado Filho, zona sul da capital sergipana, e é focada em quadros e esculturas, com um acervo grande de telas, serigrafias e obras de artistas brasileiros de vários estados, reunidas a partir do trabalho de César Gonçalves como colecionador, além de obras recentes de novos autores. Entre os artistas do cenário atual que têm suas obras representadas pela galeria, estão os sergipanos Fábio Sampaio, D.L, e Tathyana Santiago, além do paraibano Thiago Bruno e das baianas Jéfi Zavarize e Rebecca Sieiro
“Agora a galeria está em Aracaju, onde eu cuido da curadoria e sigo ampliando essa história, conectando o acervo a novos artistas, novas propostas e ao público daqui. É uma continuidade natural do que ele construiu, mas com uma ampliação clara no olhar e no propósito”, define Rodrigo, acrescentando que, nos dias atuais, a Ces Arts está mais focada em produções atuais. Trabalhamos com obras de diferentes épocas, aproximando esse acervo do público e do mercado local. A operação é enxuta, organizada e voltada para apresentar o acervo com qualidade e visão contemporânea”, explica ele.
Sobre a sua função atual como curador do espaço, o arquiteto explica que, nesta função, seu trabalho é definir a visão e a linha mestra da galeria, criando diretrizes, conceitos e estratégias. “Faço a seleção de artistas, penso o posicionamento, avalio a coerência do acervo e entro diretamente quando há exposições, lançamentos ou decisões que envolvem relação com artistas e eventos. Eu funciono mais como um consultor e um idealizador da identidade da Ces Arts. Meu papel traz uma visão mais voltada para o diálogo entre a arte atual e o mercado da alta arquitetura e decoração”, descreve, citando que a execução prática do que é decidido fica com a equipe de operação, comandada por Renato Mesquita.
E para conduzir essa definição de conceitos, diretrizes, conteúdos e estratégias, Fonseca vale-se principalmente dos fundamentos e conceitos da profissão, adquiridos a partir da sua formação na Unit. Para ele, a Arquitetura lhe proporciona leitura espacial, composição, equilíbrio visual e um senso forte de narrativa. “Quando eu penso uma exposição ou a apresentação de um artista, organizo tudo como quem projeta, considerando fluxo, ritmo, impacto e coerência visual. Além disso, a experiência como arquiteto me dá um olhar comercial muito preciso sobre o que faz sentido para o mercado ligado à arquitetura e decoração, ajudando a conectar melhor as obras aos ambientes e ao público que deseja consumir arte”, afirmou.
Outras informações sobre a Ces Arts Galeria podem ser conferidas em seu site oficial.
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