Localizado no centro histórico de Aracaju, às margens do rio Sergipe, o Mercado Municipal Antônio Franco completa um século de existência consolidado como um dos principais marcos urbanos da capital sergipana. Inaugurado em 8 de fevereiro de 1926, o espaço foi criado para concentrar e organizar o comércio de alimentos que até então acontecia de forma dispersa pelas ruas e praças da cidade, exigindo novas formas de organização econômica e urbana.
Situado próximo à antiga área portuária e a importantes rotas comerciais da época, o local facilitava a chegada e a distribuição de mercadorias que abasteciam a cidade. Com o passar das décadas, o espaço deixou de ser apenas um centro de provisão alimentar e passou a reunir diferentes atividades comerciais, gastronômicas e culturais.
Atualmente, o mercado integra um complexo formado também pelos mercados Thales Ferraz e Maria Virgínia Leite Franco, criando um dos principais polos de comércio popular e turismo da capital. O conjunto atrai diariamente moradores e visitantes interessados em experimentar pratos típicos da culinária sergipana, comprar produtos regionais e circular por um espaço que reúne tradição, cultura e história.
Formação da cidade
De acordo com o professor da Universidade Tiradentes (Unit), Rony Silva, a criação do Mercado Antônio Franco deve ser compreendida dentro do processo de reorganização urbana que marcou Aracaju no início do século XX. Naquele período, segundo ele, a cidade buscava disciplinar práticas comerciais e criar estruturas capazes de atender ao crescimento da população.
“Mercados públicos desempenharam papel importante na consolidação da vida urbana em diversas cidades brasileiras, especialmente no Nordeste. Além de garantir o abastecimento da população, esses espaços passaram a funcionar como locais de encontro e convivência entre diferentes grupos sociais”, ressalta.
Ao longo de cem anos de funcionamento, o mercado acompanhou mudanças no perfil econômico e social da cidade. O local passou a abrigar não apenas bancas de alimentos, mas também restaurantes, bares, lojas de artesanato e outros pequenos negócios que mantêm o fluxo constante de visitantes. “Essa diversidade de atividades reflete a adaptação do espaço às novas dinâmicas urbanas e ao crescimento do turismo cultural em Aracaju. O mercado tornou-se um ponto de referência para quem busca conhecer sabores, produtos e costumes tradicionais da região”, afirma Rony.
Para Rony Silva, essa permanência ao longo do tempo está diretamente ligada à relação afetiva construída entre o mercado e a população da cidade. O espaço reúne práticas cotidianas e experiências que se acumulam ao longo das décadas, contribuindo para preservar aspectos da identidade local. “Os mercados públicos nordestinos constituem verdadeiros lugares de memória, onde práticas cotidianas, saberes populares e relações comerciais se entrelaçam, preservando a identidade coletiva”, destacou.
Patrimônio urbano
Outro elemento que reforça a importância do Mercado Antônio Franco é sua arquitetura, inspirada em modelos europeus de pavilhões comerciais e adaptada ao contexto urbano de Aracaju. O edifício se tornou parte da paisagem histórica do centro da cidade e representa um período importante do desenvolvimento urbano da capital.
Ao longo das décadas, o mercado também acumulou um patrimônio imaterial formado pelas histórias de comerciantes e frequentadores que mantêm viva a tradição do local. Muitas bancas permanecem sob responsabilidade das mesmas famílias há gerações, criando vínculos que atravessam o tempo.
“Ao completar cem anos, o Mercado Antônio Franco permanece como um dos símbolos mais representativos da história urbana de Aracaju. Preservar o espaço significa garantir não apenas a conservação da estrutura arquitetônica, mas também a valorização das práticas culturais e comerciais que dão vida ao mercado e mantêm viva a memória da cidade”, finaliza.
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