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Academias de rua ganham espaço nas cidades, mas exigem cuidados

Equipamentos públicos facilitam o acesso ao exercício, mas não substituem a musculação tradicional e seu uso sem supervisão pode gerar lesões graves; treino eficaz depende de orientação e avaliação física

às 15h32
As “academias de rua” ou “academias livres” são estruturas de ferro ou concreto nas quais qualquer pessoa pode chegar e fazer seu exercício (Célio Júnior/Prefeitura de Maceió)
As “academias de rua” ou “academias livres” são estruturas de ferro ou concreto nas quais qualquer pessoa pode chegar e fazer seu exercício (Célio Júnior/Prefeitura de Maceió)
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Um dos exercícios físicos mais praticados pelos brasileiros é a musculação. Em geral, as pessoas recorrem a ela para ganhar força, resistência e energia através do desenvolvimento dos músculos do corpo. E é o que, em geral, motiva 13% dos brasileiros adultos que fazem alguma atividade física ou exercício físico, conforme dados de um levantamento realizado em janeiro deste ano pelo instituto Datafolha. 

Outro estudo, feito em 2023 por uma marca especializada em comércio com descontos, diz que 21% da população brasileira frequenta academias de ginástica, o que coloca o Brasil como o segundo país do mundo no ranking desta atividade, empatado com a África do Sul e atrás apenas da Índia. Uma terceira pesquisa, de 2024, mostra ainda que o Brasil tem mais de 56,5 mil academias de ginástica, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O total não inclui as chamadas “academias de rua” ou “academias livres”, que são estruturas com pranchas, barras e argolas de ferro ou concreto que são montadas pelas prefeituras em parques, orlas e calçadões, nas quais qualquer pessoa pode chegar e fazer seu exercício, sem precisar pagar qualquer mensalidade. 

A professora Izabella Cristina da Silva Santos, professora auxiliar e preceptora de estágio do curso de Educação Física da Universidade Tiradentes (Unit), aponta as vantagens e os pontos de atenção que devem ser observados quanto ao uso destes equipamentos públicos. Para ela, as academias de rua são úteis, mas a eficácia e segurança dependem do nível do praticante e, necessariamente, da orientação de um profissional habilitado e capacitado. 

“As academias de rua podem ser boas para praticar exercícios de força e resistência muscular com o peso do corpo, promovendo saúde, bem-estar e condicionamento físico básico, especialmente para iniciantes, idosos ou quem não tem acesso a academias convencionais. Porém, é necessário deixar claro que são nesses espaços que mais acontecem acidentes ou lesões pela execução incorreta, devido à falta de orientação adequada ou até mesmo excesso de confiança sem as bases científicas e fisiológicas para se apurar na execução do exercício”, esclarece Izabella. 

A professora alerta ainda que as estruturas das academias de rua “não substituem totalmente a musculação tradicional, pois não permitem controle de carga progressiva precisa, limitam o número de exercícios e variações e podem favorecer execuções inadequadas sem supervisão”. Além das lesões musculares, articulares ou de tendões, por má execução ou carga excessiva, a prática inadequada ou incorreta da musculação pode levar a problemas como sobrecarga na coluna e joelhos; descompensações posturais; exaustão (ou overtraining); e falta de resultados, desmotivação ou abandono precoce.

Erros comuns e cuidados 

Em geral, a musculação utiliza a resistência com pesos livres, máquinas ou o próprio peso corporal, com o objetivo de promover fortalecimento muscular, hipertrofia (aumento do volume muscular), resistência, potência ou reabilitação. Ela também se caracteriza pelo trabalho localizado de grupos musculares, com controle de carga, número de repetições, séries, intervalos e intensidade. 

Um dos principais erros que costumam ser cometidos por muitos iniciantes na prática da musculação é a falta de orientação profissional habilitada. Além de não recorrerem ao trabalho de um profissional de Educação Física, formado na área, essas pessoas acabam imitando treinos praticados por outras pessoas ou ensinados na Internet, sem nenhum critério cientificamente avalizado. Existem ainda outros três erros considerados mais comuns entre os praticantes: querer resultados rápidos demais e aumentar a carga cedo demais; treinar todos os dias o mesmo grupamento muscular sem descanso adequado; e focar só na estética do corpo, esquecendo-se da técnica. 

Izabella frisa que o acompanhamento de um profissional de Educação Física é indispensável para a prática correta da musculação. “Ele é o responsável técnico legalmente habilitado para prescrever treinos conforme o objetivo e condição da pessoa; ensinar a execução correta dos exercícios; adaptar os treinos em caso de limitações, lesões ou necessidades especiais; e monitorar a evolução e evitar lesões por sobrecarga ou erros de movimento. Sem esse acompanhamento, os riscos aumentam significativamente, e os resultados podem ser comprometidos”, destaca.

Ao decidir praticar a musculação, a pessoa interessada deve adotar alguns cuidados, considerando principalmente a avaliação física e médica feita previamente. A recomendação vale mais ainda para quem tem comorbidades, como hipertensão, diabetes ou outras doenças. 

Além de buscar a avaliação inicial e buscar orientação com um profissional de Educação Física, o iniciante deve começar a prática com cargas leves e focar na técnica de desenvolvimento do exercício; respeitar os intervalos de descanso e os dias de recuperação muscular; acompanhar a evolução com registros e ajustes periódicos; e manter uma alimentação adequada, preferencialmente com orientação nutricional, definindo objetivos claros e realistas, como ganho de força, estética, reabilitação, etc. “É preciso determinação e persistência para manter a prática, além de manter expectativas realistas quanto aos resultados, que são progressivos e requerem consistência”, conclui a professora.

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