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Entre sucessos e ajustes na segurança, sistema Pix completa um ano

Banco Central adota saque e troco pelo Pix, mas impõe novos limites de segurança contra crimes e fraudes; sistema já soma mais de 1 bilhão de transações

às 20h23
O sistema Pix completou um ano de funcionamento, com mais de 348 milhões de chaves ativas em todo o país (Marcello Casal Júnior/Agência Brasil)
O sistema Pix completou um ano de funcionamento, com mais de 348 milhões de chaves ativas em todo o país (Marcello Casal Júnior/Agência Brasil)
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“Você aceita Pix?”. Essa pergunta se tornou muito comum nas ruas ao longo do último ano, desde que o Banco Central do Brasil (BCB) lançou o sistema eletrônico de transferência bancária que chegou ao mercado como uma versão simplificada dos outros sistemas existentes, como o TED e o DOC. O alcance popular se mede pelas últimas estatísticas do Banco Central. Até o dia 31 de outubro, mais de 348,1 milhões de chaves de acesso foram ativadas no sistema, através das instituições financeiras, o que equivale a 112,6 milhões de usuários e 227,8 milhões de contas bancárias, as quais foram responsáveis por 1,185 bilhão de transações realizadas. 

O rápido crescimento e alcance popular alcançado pelo Pix veio acompanhado por uma sequência de mudanças e evoluções aplicadas para melhorar as funcionalidades do sistema. Duas delas entraram em vigor nesta segunda-feira, 29: o Pix Saque, que permite ao usuário fazer saques em qualquer caixa eletrônico, mediante um QR code, além do Pix Troco, no qual o cliente, ao pagar uma compra, faz uma transferência equivalente à soma da compra e do saque, recebendo a diferença como troco em espécie. 

Outras mudanças visam reforçar a segurança do Pix, devido ao aumento dos casos de golpes, fraudes e crimes que envolvem transações do tipo. No dia 16, entrou em vigor o Mecanismo Especial de Devolução, que agiliza o ressarcimento ao usuário que for vítima de fraude ou de falha operacional das instituições financeiras. Dias antes, o BCB impôs um limite de R$ 1 mil para transações no horário noturno e um prazo de 24 horas para o cadastro de novas contas, além de aumentar o tempo de retenção de transações para análise de riscos, que pode evoluir para um bloqueio, por até 72 horas, do recebimento de recursos por pessoas físicas, em caso de suspeita de fraude.

Bônus e ônus

O sucesso do Pix é atribuído a uma série de práticas que surgiram a partir do aumento dos aplicativos bancários digitais e da diminuição da circulação de dinheiro em espécie, o que se acentuou com a pandemia da Covid-19. 

Além da instantaneidade das transferências, pesaram a ausência de taxas, o uso de uma chave cadastrada e a facilidade de uso, já que o Pix pode ser feito a partir de um telefone celular ou de uma máquina de pagamentos. “Não tem custo para pessoas físicas, conclui a transmissão do dinheiro em poucos segundos, funciona 24 horas por dia em todos os dias do ano, pode ser usado para pagar diversos tipos de débitos e facilita as transações com a diminuição das informações passadas anteriormente”, listou o economista Josenito Oliveira, professor do curso de Administração da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe). 

Por outro lado, o Pix atraiu a atenção de golpistas e estelionatários, os quais adaptaram estratégias que, até então, eram feitas pelo telefone. “Eles clonam e sequestram contas de WhatsApp, pedem dinheiro a parentes e amigos da vítima, que muitas vezes, por acharem que é de fato aquela pessoa, acabam caindo. É comum também as pessoas receberem ligações ou mensagens que simulam uma empresa pedindo um código, senhas, informações pessoais. As empresas não fazem isso e é importante estar atento e ter cuidado”, adverte o professor Ronaldo Marinho, do curso de Direito da Unit Sergipe. Ele também chamou a atenção para o aumento dos sequestros-relâmpagos, no qual os criminosos obrigam as vítimas a fazerem transações para contas mantidas por eles mesmos ou por “laranjas”.

A expectativa dos especialistas é de que as medidas recentes do Banco Central aumentem a segurança e a confiabilidade do sistema, desincentivando a prática de crimes e obrigando as instituições a investirem em outros mecanismos de segurança bancária e tecnológica. “A gente entende que o Pix é mais maleável porque a gente consegue mudar e adaptar coisas mais rapidamente”, resumiu o presidente do BCB, Roberto Campos Neto, ao falar sobre o assunto para empresários no mês passado, em São Paulo.

Asscom | Grupo Tiradentes
com informações da Agência Brasil

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