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Atividade física na água: benefícios, cuidados e recomendações para todas as idades

Especialista explica como a flutuabilidade, resistência e pressão da água impactam positivamente músculos, circulação e postura; cuidados essenciais devem ser tomados para evitar riscos

às 15h20
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Em dias de calor ou de temperatura um pouco mais quente, muitas pessoas aproveitam as piscinas, rios ou mesmo as praias para praticar atividades físicas. São movimentos que vão desde a natação tradicional até esportes como o vôlei e o pólo aquático, mas muitos se dedicam à hidroginástica, prática mais comum em academias que contam com piscinas. Esta prática é inclusive muito recomendada por profissionais de saúde e educação física, inclusive para a atividade física de pessoas idosas, com obesidade ou com mobilidade reduzida. 

O professor João Eliakim dos Santos Araújo, do curso de Educação Física da Universidade Tiradentes (Unit), explica que estes efeitos no funcionamento do corpo são provocados por quatro características principais do ambiente aquático. Uma é a flutuabilidade, força que empurra o corpo para cima quando ele está submerso, diminuindo o peso corporal e reduzindo o impacto nas articulações, tendões e coluna. “O baixo impacto articular proporcionado pela flutuabilidade da água reduz o peso corporal sobre articulações, tendões e ossos. Isso permite realizar movimentos que seriam dolorosos ou difíceis em terra firme, proporcionando mais conforto para pessoas com lesões, artrite, obesidade, idosos ou aqueles em reabilitação”, afirma.  

Ainda de acordo com ele, a água tem uma resistência muito maior do que a do ar e que o corpo, quando imerso nela, encontra resistência em todas as direções, fazendo com que qualquer movimento exija mais esforço, e que os músculos trabalhem constantemente para vencer essa resistência. “Isso ativa não apenas os músculos mais utilizados, mas também grupos musculares que muitas vezes não são trabalhados em exercícios fora da água. O movimento lento e controlado fortalece os músculos com menor risco de lesão, e o esforço é autoajustável, ou seja, quanto mais rápido o movimento, maior a resistência enfrentada, o que resulta em fortalecimento muscular, melhora da coordenação e tonificação”, diz Eliakim.

Além disso, a pressão exercida pela água sobre o corpo submerso, chamada de “pressão hidrostática”, comprime suavemente os vasos sanguíneos, faz o sangue a retornar ao coração e contribui para a melhora da circulação sanguínea, ajudando a reduzir inchaços e favorecendo não apenas a recuperação muscular, mas também uma frequência cardíaca mais baixa para a mesma carga de trabalho, além de melhorar a respiração e a circulação. O professor acrescenta que a temperatura da água considerada ideal para a prática de atividades aquáticas é em torno de 28°C a 30°C, que promove o relaxamento da musculatura e proporciona uma sensação geral de bem-estar. 

“Por fim, os estímulos neuromusculares causados pela instabilidade da água desafiam constantemente o corpo, ativando músculos estabilizadores, principalmente na região do core [que abrange o abdômen, a lombar e os glúteos] e membros inferiores. Isso melhora o equilíbrio, a postura e a consciência corporal, além de prevenir quedas e aprimorar a coordenação motora e o controle neuromuscular”, acrescenta Eliakim.

A natação é a atividade física mais indicada para a água, pois, ao trabalhar com todas as áreas do corpo, desenvolve habilidades como resistência, respiração, força e coordenação motora, podendo ser adaptada para todos os níveis. Outros exercícios indicados são a Hidro Yoga (ou Aqua Yoga), que é uma adaptação do yoga para a piscina, com foco em alongamento, relaxamento e controle respiratório; e o Hidro Pilates (ou Pilates Aquático), que adapta os exercícios do pilates para o ambiente aquático, trabalhando postura, equilíbrio, força do core e respiração.

Pontos de atenção

Apesar de todos esses benefícios, o professor Eliakim cita alguns pontos de atenção que precisam ser considerados para garantir a eficácia e a segurança dos exercícios e esportes aquáticos. O principal é fazer a avaliação médica prévia antes de iniciar a prática. Pessoas com problemas cardíacos, respiratórios, labirintite, epilepsia ou gestantes podem ter restrições específicas, que se forem ignoradas, podem levar a crises, quedas, afogamentos ou outras emergências durante a atividade. 

Também é essencial buscar a orientação de um profissional habilitado em Educação Física ou Fisioterapia, pois a falta de acompanhamento e orientação adequada aumenta o risco de exercícios mal executados ou inadequados para as necessidades individuais, gerando dores musculares, tensões e até o agravamento de lesões já existentes. Tais lesões, em músculos e articulações, podem surgir se não for feito o aquecimento e o alongamento antes dos exercícios. 

“Iniciar o treino sem preparar o corpo adequadamente compromete tanto a segurança quanto o desempenho. Assim, é altamente recomendável realizar sempre um aquecimento leve dentro da água, com movimentos leves, caminhadas dentro da água e mobilizações dos braços e pernas. Ao final da sessão, relaxamento com alongamentos para ajudar na recuperação muscular e na prevenção de dores”, orienta Eliakim.

O praticante também deve respeitar a profundidade da água e escolher o nível mais adequado e seguro para não comprometer o exercício. Exercitar-se em uma profundidade muito rasa ou muito funda para o tipo de exercício proposto pode causar postura incorreta, desequilíbrio, esforço desnecessário ou até risco de afogamento. O uso de acessórios, como boias, pranchas, “macarrões” ou nadadeiras (“pés-de-pato”), pode ser um ótimo recurso para aumentar a resistência, melhorar o equilíbrio ou facilitar alguns exercícios, mas devem ser usados corretamente e escolhidos de acordo com os objetivos e necessidades da pessoa.

Outra regra a seguir é não abandonar totalmente os exercícios em terra, fora da água. O professor explica que, embora a água ofereça inúmeros benefícios, a ausência de impacto pode diminuir o estímulo para a formação óssea, o que é relevante na prevenção da osteoporose. “Esse efeito depende da intensidade e do tipo de exercício. Por isso, muitas vezes, exercícios em terra são recomendados em conjunto para estimular a densidade óssea”, justifica o professor.

A hidratação insuficiente é outro fator de risco, já que o ambiente aquático pode disfarçar a sensação de sede. “O corpo continua perdendo líquidos através do suor, mesmo dentro da água. Isso pode levar à desidratação, tontura e queda no rendimento físico. Para prevenir esses efeitos, é necessário manter-se hidratado, bebendo água antes, durante e depois da atividade, mesmo sem sentir sede”, acrescenta Eliakim, orientando ainda que o praticante deve respeitar os limites de seu corpo. “Dores, fadiga excessiva ou desconfortos devem ser sinal de alerta. O corpo precisa de tempo para se adaptar, especialmente no início ou em períodos de retorno à prática. Respeitar esses sinais é essencial para evitar lesões e garantir que os exercícios aquáticos tragam todos os seus benefícios de forma segura e eficaz”, conclui. 

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